A IMPORTANCIA DA PRECE
O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar o seu retorno à atividade diária, é a prece. Vós orais, quase todos, mas quão poucos sabem realmente orar! Que importam ao Senhor as frases que ligais maquinalmente uma às outras, porque já vos habituastes a repeti-las, porque é um dever que tendes de cumprir, e que vos pesa, como todo o dever?

A prece do cristão, do Espírita, principalmente,de qualquer culto que seja, deve ser feita no momento em que o Espírito retoma o jugo da carne, e deve elevar-se com humildade aos pés da Majestade Divina, mas também com profundeza, num impulso de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até esse dia. E de agradecimento, ainda, pela noite transcorrida, durante a qual lhe foi permitido, embora não guarde a lembrança, retornar junto aos amigos e aos guias, para nesse contato haurir novas forças e mais perseverança. Deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, pedindo pela sua fraqueza, suplicando o seu amparo, a sua indulgência, a sua misericórdia. E deve ser profunda, porque é a vossa alma que deve elevar-se ao Criador, que deve transfigurar-se, como Jesus no Tabor, para chegar até Ele, branca e radiante de esperança e de amor.

Vossa prece deve encerrar o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais realmente. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que abrevie a vossa provas, ou que vos dê alegrias e riquezas. Pedi-lhe antes os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Evitai dizer, como o fazem muitos dentre vós: “Não vale a pena orar, porque Deus não me atende”. O que pedis a Deus, na maioria das vezes? Já vos lembrastes de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh, não, tão poucas vezes! O que mais vos lembrais de pedir é o sucesso para os vossos empreendimentos terrenos, e depois exclamais: “Deus não se preocupa conosco; se o fizesse, não haveria tantas injustiças!” Insensatos, ingratos! Se mergulhásseis no fundo da vossa consciência, quase sempre ali encontraríeis o motivo dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, para vos tornardes melhores, e vereis que torrentes de graças e consolações se derramarão sobre vós!

Deveis orar incessantemente, sem para isso procurardes o vosso oratório ou cairdes  de joelhos nas praças públicas. A prece diária é o próprio cumprimento dos vossos deveres, mas dos vossos deveres sem exceção, de qualquer natureza que sejam. Não é um ato de amor para com o Senhor assistirdes os vossos irmãos numa necessidade qualquer, moral ou física? Não é um ato de reconhecimento a elevação do vosso pensamento a Ele, quando uma felicidade vos chega, quando evitais um acidente, ou mesmo quando uma simples contrariedade vos aflora à alma, e dizeis mentalmente: “Seja bendito, meu Pai!”?  Não é um ato de contribuição, quando sentis que falistes, dizerdes humilde para o Supremo Juiz, mesmo que seja num rápido pensamento: “Perdoai-me, Deus meu, pois que pequei (por orgulho, por egoísmo ou por falta de caridade); dai-me a força de não tornar a falir, e a coragem de reparar a minha falta”?

Isto independe das preces regulares da manhã e da noite, e dos dias consagrados, pois, como vedes a prece pode ser de todos os instantes, sem interromper os vosso afazeres; e até, pelo contrário, assim feita, ela os santifica. E não duvideis de que um só desses pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai celestial do que as longas preces repetidas por hábitos, quase sempre sem um motivo imediato, apenas porque a hora convencional maquinalmente vos chama.

Nos primeiros tempos, os adeptos do Espiritismo ainda permaneciam muitas vezes ligados às igrejas de que provinham. O mesmo aconteceu também com o Cristianismo dos primeiros tempos.

DEFINIÇÃO DE PRECE

Prece: É um apoio para a alma, contudo, não basta, é preciso por base uma fé viva na bondade de Deus.
Oração: Oração não é palavra, é sentimento. Um olhar da alma, fixo no céu, vale mais que mil rosários rezados rotineiramente. (Amália Domingos Sóler em: Fragmentos das memórias do Padre Germano)

A legitima acepção do vocábulo orar não é apenas suplicar, louvar, reclamar ou requerer, é sobretudo sintonizar pensamentos e emoção, construir fecundas conjugações mentais, estabelecer circuito de poderosas energias construtivas.

Poderíamos dizer que a prece é uma projeção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora, e nisto reside o seu poder e o seu alcance, pois nesta relação fluídica o homem atrai para si a ajuda dos Espíritos Superiores a lhe inspirar bons pensamentos. Por que pensamentos? Porque são a origem da quase totalidade de nossas ações.(Primeiro pensamos depois agimos).

Poderíamos dizer também que a prece é uma invocação e que por meio dela pomos o pensamento em contato com o ente a quem nos dirigimos.

A prece é a expressão de um sentimento que sempre alcança a Deus, quando ditada pelo coração de quem ora.

O Espiritismo faz compreender a ação da prece explicando o processo da transmissão do pensamento, quer o ser por quem se ora venha ao nosso chamado, quer o nosso pensamento chegue até ele.

Para compreender o que se passa nessa circunstância, convêm considerar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no mesmo fluido universal que ocupa o espaço, como neste planeta estamos nós na atmosfera. O ar é o veículo do som com a diferença que as vibrações do ar são circunscritas ao planeta Terra, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito.

Então, logo que o pensamento é dirigido para um ser qualquer na Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um para o outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão da energia do pensamento e da vontade. É por esse meio que a prece é ouvida pelos espíritos onde quer que estejam; que eles se comunicam entre si; que nos transmitem as suas inspirações; que as relações se estabelecem a distância, etc.

As preces devem ser feitas diretamente ao Criador, mas também pode ser-lhe endereçada por intermédio dos bons Espíritos, que são os Seus mensageiros e executores da Sua vontade. Quando se ora a outros seres além de Deus, é simplesmente como a intermediários ou intercessores, pois nada se pode obter sem a vontade de Deus.

O poder da prece está no pensamento, e não depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que é feita. Pode-se, pois, orar em qualquer hora, a sós ou em conjunto. A influência do lugar ou do tempo depende das circunstâncias que possam favorecer o recolhimento.

O essencial é orar com sinceridade e aceitar os próprios defeitos, porque a prece não redime as faltas cometidas; aquele que pede a Deus perdão pelos seus erros, só o obtêm mudando sua conduta na prática do bem. Deste modo, as boas ações são a melhor prece, e por isso os atos valem mais do que as palavras.

Através da prece pode-se ainda fazer o bem aos semelhantes, porque o Espírito que ora, atuando pela vontade de praticar o bem, atrai a influência de Espíritos mais evoluídos que se associam ao bem que se deseja fazer.

Entretanto, a prece não pode mudar a natureza das provas pelas quais o homem tem que passar, ou até mesmo desviar-lhe seu curso, e isto porque elas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação.

Deve-se considerar, também, que nem sempre aquilo que o homem implora corresponde ao que realmente lhe convém, tendo em vista sua felicidade futura. Deus, em Sua onisciência e suprema bondade, deixa de atender ao que lhe seria prejudicial.

Todavia, as súplicas justas são atendidas mais vezes do que supomos, podendo a resposta a uma prece vir por meios indiretos ou por meios de idéias com as quais saímos das dificuldades.

A prece em favor dos desencarnados não muda os desígnios de Deus a seu respeito; contudo, o Espírito pelo qual se ora experimenta alívio e conforto ao receber o influxo amoroso dos entes que compartilham de suas dores. Além do mais, o efeito benéfico da prece sobre o desencarnado é tal, que pode levá-lo à conscientização das faltas cometidas e ao desejo de fazer o bem.

É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena, se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças

A prece harmoniza o tom vibratório do indivíduo, revitaliza o metabolismo perispiritual, reorganizando o campo das moléculas, resultando em ação salutar.

Assim a prece evita doenças originárias de vibrações desorganizadas da mente desequilibrada.

A questão da prece é tão importante que o Dr. Sang Lee, médico, autor de livros, teria comprovado, regenerações celulares, já desenganadas por outros médicos, através do eficiente tratamento médico e orações, momento em que se reunia com os enfermos e faziam juntos orações em prol de suas curas, tendo logrado êxito em várias experiências como essa, tudo isso citado didaticamente em seu livro Saúde, novo estilo de vida.
Sem a oração, dificultamos o nosso maior aliado no fortalecimento de nossas defesas orgânicas – a esperança. Quando a esperança nos abandona, tornamos extremamente difícil a produção de qualquer substância orgânica que nos faça fortalecer nosso corpo, nossas células.

A esperança faz toda a diferença. Todos precisamos de esperança para prosseguir na luta pela vida e por mais saúde, ou recuperação dela. A esperança, porém, pode ser exercitada, comecemos mudando nosso modo de ver as coisas, acreditando que há uma causa que deságue sempre numa conseqüência, e que nada na vida é por acaso, para tudo existe uma explicação e que Deus nos ama, e quer que possamos ser felizes.

A falta de perspectiva, ou a falta de esperança, abate nossas forças minando nossa coragem de viver, fazendo-nos doentes.

O poder da prece exerce modificações substanciais e profundas nas situações de fraqueza emocional que muitas das vezes nos torna criaturas sempre pessimistas. Quando oramos abrimos possibilidades para que a luz se faça perene em nosso derredor e possibilitamos receptividade para que Deus, através de seus emissários nos auxilie e nos fortaleça. Neste caso a prece abre cominhos mentais e espirituais para o caminho mais direto da redenção. Um único e mínimo ponto de luz que façamos já é bastante suficiente para destruir ou minorizar as impregnações de desanimo, depressão, desilusão e as forças contrárias, que não nos desejam a felicidade, afastando de nós os sentimentos muitas vezes alimentados também por focas exteriores, de vingança, ódio e ressentimento.

É importante que busquemos a prece em nossa prática diária, pois nos beneficiaremos quando orarmos e também quando alguém ora por nós.

É igualmente real que essas misérias resultam de infringirmos as leis de Deus, e que, se as observássemos, fielmente, seríamos perfeitamente felizes. Se não excedêssemos o limite do necessário na satisfação das nossas necessidades, evitaríamos as enfermidades que são a conseqüência dos excessos, e as vicissitudes a que essas moléstias nos arrastam; se limitássemos as nossas ambições, não teríamos a ruína; se não quiséssemos subir além do que podemos, não teríamos a queda; se fôssemos humildes, não passaríamos pela decepção de ver abatido o nosso orgulho; se praticássemos a lei da caridade, não seríamos mendigos, nem invejosos, ou ciumentos; evitaríamos as questiúnculas e as dissensões; se não fizéssemos mal aos outros, não recearíamos as vinganças, etc.

Admitindo que o homem nada possa contra os outros males, e que a prece seja ineficaz para deles preservá-lo, já não será bastante que possa libertar-se de todos os que provêm de si mesmo? Ora, aqui a ação da prece se concebe facilmente, pois tem por fim obter a inspiração salutar dos bons Espíritos e a força para resistir aos maus pensamentos, cuja execução pode ser funesta. Neste caso, não é o mal que eles desviam, mas o nosso mau pensamento que, aliás, nos pode causar grande mal; não embaraçam, em coisa alguma, os decretos de Deus; não suspendem o curso das leis da Natureza; apenas impedem que infrinjamos essas leis dirigindo o nosso livre-arbítrio. Mas fazem-no sem que o saibamos, de modo oculto, para não nos tolher a vontade.

O homem ficará, então, na posição de quem solicita bons conselhos e os põe em prática, mas conservando sempre a liberdade de os seguir ou não. Deus assim o quer para que o homem tenha responsabilidade dos seus atos e para lhe deixar o mérito da escolha entre o bem e o mal. Isso, o homem pode ter a certeza de obter sempre, se pede com fervor. A esse caso é que se aplicam estas palavras do Evangelho: «Pedi e obtereis.»

EXEMPLOS DO PODER DA PRECE:

1- Caridade e oração, Lindos Casos de Chico Xavier – Ramiro Gama “O Centro Espírita Luiz Gonzaga”
Certa feita, alguns populares chegaram à reunião pedindo socorro para um cego acidentado. O pobre mendigo, mal guiado por um companheiro ébrio, caíra sob o viaduto da Central do Brasil, na saída de Pedro Leopoldo para Matozinhos, precipitando-se ao solo, de uma altura de quatro metros. O guia desaparecera e o cego vertia sangue pela boca. Sozinho, sem ninguém… Chico alugou pequeno pardieiro, onde o enfermo foi asilado para tratamento médico. Caridoso facultativo receitou, graciosamente. Mas o velhinho precisava de enfermagem. O médium velava junto dele à noite, mas durante o dia precisava atender às próprias obrigações na condição de caixeiro do Sr. José Felizardo. Havia, por essa época, 1928, uma pequena folha semanal, em Pedro Leopoldo. E Chico providenciou para que fosse publicada uma solicitação, rogando o concurso de alguém que pudesse prestar serviços ao cego Cecílio, durante o dia, porque à noite, ele próprio se responsabilizaria pelo doente. Alguém que pudesse ajudar. Não importava que o auxílio viesse de espíritas, católicos ou ateus. Seis dias se passaram sem que ninguém se oferecesse. Ao fim da semana, porém, duas meretrizes muito conhecidas na cidade se apresentaram e disseram-lhe: – Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir… – Ah! Como não? – replicou o médium – Entrem, irmãs! Jesus há de abençoar-lhes a caridade. Todas as noites, antes de sair, as mulheres oravam com o Chico, ao pé do enfermo. Decorrido um mês, quando o cego se restabeleceu, reuniram-se pela última vez, em prece, com o velhinho feliz. Quando o Chico terminou a oração de agradecimento a Jesus, os quatro choravam. Então, uma delas disse ao médium: – Chico, a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar. E uma passou a servir numa tinturaria, desencarnando anos depois e a outra conquistou o título de enfermeira, vivendo, ainda hoje, respeitada e feliz.

2- Texto de Octávio Calmo Serrano.
Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, aproximou-se do proprietário, conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.
Pensando na necessidade da sua família ela implorou: “Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver…”, ao que ele respondeu ela não tinha crédito e nem conta, na sua loja.
Em pé, no balcão ao lado, um freguês que assistia à conversa entre os dois, se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.
Então, o comerciante falou, meio relutante, para a pobre mulher:
“Você tem uma lista de mantimentos?”
“Sim”, respondeu ela.
“Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos”. A pobre mulher hesitou, por uns instantes, e, com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou, suavemente, na balança. Os três ficaram admirados, quando o prato da balança, com o papel, desceu e permaneceu embaixo. Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se, lentamente, para o seu freguês e comentou contrariado:
“Eu não posso acreditar!”. O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança. Como a escala da balança na equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos, até não caber mais nada. O comerciante ficou parado, ali, por uns instantes, olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido. Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado, pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:
“Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em suas mãos…”
O homem deu as mercadorias para a pobre mulher, no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém. O freguês pagou a conta e disse:
“Valeu cada centavo…”
Só mais tarde, o comerciante pôde reparar que a balança havia quebrado. Entretanto, só Deus sabe o quanto pesa uma prece…

MANEIRAS DE ORAR

Pela prece podemos fazer três coisas: Louvar, Pedir ou Agradecer (LE, 659)

LOUVAR: é enaltecer os desígnios de Deus sobre todas as coisas, aceitando-O como Ser Supremo, causa primária de tudo o que existe, bendizendo-Lhe o nome.
PEDIR: é recorrer ao Pai Todo-Poderoso em busca de luz, equilíbrio, forças, paciência, discernimento e coragem para lutar contra as forças do mal; enfim, tudo, desde que não se contrarie a lei de amor que rege e sustenta a Harmonia Universal.
AGRADECER: é reconhecer as inúmeras bênçãos recebidas, ainda que em diferentes graus de entendimento e aceitação: a alegria, a fé, a bênção do trabalho, a oportunidade de servir, a esperança, a família, os amigos, a dádiva da vida.

O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar o seu retorno à vida ativa de cada dia, é a prece. Quase todos oram, mas muito poucos sabem orar! Que importância terão perante o Senhor as frases que juntais umas às outras, sem compreender o que dizeis, por ser vosso hábito e um dever que cumpris, e que como todo dever vos pesa?

A prece do cristão, do espírita ou de qualquer outro culto deve ser feita logo ao acordar, quando o Espírito retomou o domínio do corpo após o sono. Deve elevar-se em agradecimento aos pés da Majestade Divina com humildade, do fundo da alma, agradecendo todos os benefícios recebidos até aquele dia; pela noite transcorrida, durante a qual vos foi permitido, embora inconscientemente, ir até junto de vossos amigos, vossos guias, para renovar, ao contato com eles, vossas forças e confiança. A prece deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, para Lhe confessar a vossa fraqueza, e suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Ela deve ser profunda, pois é vossa alma que deve se elevar em direção ao Criador, devendo transfigurar-se como Jesus no Tabor, e chegar ao Senhor, branca e radiosa de esperança e de amor.

Vossa prece deve conter o pedido das graças de que tendes necessidade, mas das autênticas necessidades. É inútil pedir ao Senhor para encurtar vossas provas, para vos dar alegrias e riquezas.  Rogai-lhe para vos conceder os bens mais preciosos: a paciência, a resignação e a fé. Não deveis dizer, como acontece com muitos entre vós: “Não vale a pena orar, uma vez que Deus não me atende”. Que pedis a Deus, na maior parte das vezes? Já vos lembrastes de pedir lhe a vossa melhoria moral? Não. Poucas vezes o fazeis. Contudo, estais sempre pedindo o sucesso em vossos empreendimentos na Terra, e freqüentemente dizeis: “Deus não se ocupa conosco; se o fizesse, não haveria tantas injustiças”. Insensatos! Ingratos! Se analisásseis honestamente o fundo de vossa consciência, encontraríeis quase sempre, em vós mesmos, o ponto de partida dos males dos quais vos lamentais. Pedi, antes de todas as coisas, vossa melhoria, e vereis que imensidão de graças e de consolações se derramarão sobre vós.

Deveis orar sempre sem que, para isso, seja preciso vos recolherdes ao vosso oratório, ou vos exibirdes de joelhos nas praças públicas. Durante a jornada diária de trabalho, a prece deve constar como parte do cumprimento dos vossos deveres, qualquer que seja a natureza deles, sem exceção. Não é um ato de amor para com o Senhor assistir os vossos irmãos em qualquer necessidade, moral ou física? Não é um ato de reconhecimento elevar o vosso pensamento a Deus quando uma felicidade vos chega, um acidente é evitado, até mesmo quando uma contrariedade vos atinja somente de leve? Portanto, deveis sempre agradecer em pensamento: Sede abençoado, meu Pai! Não é um ato de arrependimento humilhar-vos diante do Juiz Supremo quando sentirdes que falhastes, ainda que por um breve pensamento, e dizer-Lhe: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei (por orgulho, por egoísmo ou por falta de caridade); dai-me a força para não mais falhar e a coragem de reparar o meu erro?

Deveis proceder desta maneira independentemente das preces regulares da manhã, da noite e dos dias consagrados. Como vedes, a prece pode ser feita a todos os instantes, sem trazer nenhuma interrupção aos vossos trabalhos, e, se assim fizerdes, ela os santificará. Acreditai que apenas um destes pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai Celestial do que as longas preces ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinada, às quais a hora convencionada vos lembra automaticamente que chegou o momento da prece.

Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes vêm vos socorrer e anunciar grandes coisas. Deus, meus filhos, abre seus tesouros para vos dar todos os seus benefícios.  Homens de pouca fé!  Se soubésseis o quanto a fé faz bem ao coração e leva a alma ao arrependimento e à prece! A prece! Como são tocantes as palavras que saem  dos lábios na hora da prece! A prece é o orvalho divino que tranquiliza o calor excessivo das paixões. A prece, filha primeira da fé, nos conduz ao caminho que nos leva a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Para vós, não há mais mistérios: na prece Deus se revela. Apóstolos do pensamento, a prece vos leva a conhecer a verdadeira vida. Vossa alma se desprende da matéria e se eleva a mundos infinitos e celestes que os pobres humanos desconhecem.

Caminhai, caminhai pelas sendas da prece, e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Não é mais o ruído confuso e os sons estridentes da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes doces e suaves dos serafins, mais leves que as brisas da manhã quando brincam nas folhagens de vossos bosques. Em que delícias caminhareis!  Vossa linguagem é pobre para poder definir a felicidade que vos envolverá, por assim dizer, por todos os poros, quando, ao orar, se atinge essa fonte de frescor e de vida! Doces vozes, deliciosos perfumes, que a alma ouve e sente quando se lança nessas esferas desconhecidas e habitadas pela prece! Sem o peso dos desejos carnais, todas as aspirações são divinas. E vós também orai como o Cristo levando sua cruz ao Gólgota, ao Calvário.

Carregai a vossa cruz, e sentireis em vossas almas as mesmas doces emoções que o Senhor sentiu, embora carregando a cruz infame.  O Senhor ia morrer, mas para viver a vida celeste na morada do Pai.
Santo Agostinho – Paris, 1861

EFICÁCIA DA PRECE

Há pessoas que contestam a eficiência da prece, baseando-se no fato de que, se Deus conhece nossas necessidades, não é necessário que as revelemos. Acrescentam ainda que, como tudo se encadeia no Universo pelas leis eternas, nossas preces não podem mudar as leis de Deus.

Sem dúvida alguma, há leis naturais e imutáveis que Deus não anulará conforme os caprichos de cada um. Mas daí a se acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas ao que se usa chamar de fatalidade, há uma grande diferença. Se fosse assim, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa e, neste caso, só lhe restaria curvar a cabeça aos golpes dos acontecimentos, sem procurar evitá-los;  não tentaria procurar desviar-se dos perigos. No entanto, Deus deu ao homem a razão e a inteligência para utilizar-se delas, deu-lhe a vontade para querer; a atividade para ser ativo. Porém, tendo o homem liberdade de ação em todos os sentidos, seus atos lhe acarretam para si e para os outros conseqüências conforme o que faça ou deixe de fazer. É por essa razão que certos acontecimentos acabam, obrigatoriamente, escapando ao que costumamos chamar de fatalidade, mas que em nada alteram a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou o retardamento dos ponteiros de um relógio não anula a lei do movimento que rege o seu mecanismo. Deus pode, portanto, atender a alguns pedidos sem alterar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, desde que se submetam à sua soberana vontade.

Não há lógica em deduzir-se deste ensinamento: Tudo aquilo que pedirdes pela prece vos será concedido, que basta pedir para se obter. É injusto acusar a Espiritualidade de não atender a todo pedido que lhe é feito, porque ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem. Assim procede um pai sábio, que recusa ao seu filho as coisas que lhe seriam prejudiciais. Geralmente, o homem vê apenas o presente. Em vista disso, se o sofrimento é útil à sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, tal como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura.  Deus sempre lhe dará a coragem, a paciência e a resignação, quando se dirigir a Ele com confiança, e lhe inspirará os meios de se livrar das dificuldades por si mesmo, ajudado pelas idéias que fará os bons Espíritos lhe sugerir, deixando-lhe, assim, o mérito da ação.  Deus ampara aos que se ajudam a si mesmos, conforme o ensinamento:  Ajudai-vos e o Céu vos ajudará, mas não aos que tudo esperam de um socorro alheio sem fazer uso de suas próprias capacidades.  Infelizmente, a maioria prefere ser socorrida por um milagre do que ter que fazer algum esforço.

Vimos que a prece tem vários tipos e pode ser utilizada conforme as necessidades e objetivos, mas sempre será mais poderosa se partir de uma alma elevada, de um espírito aperfeiçoado, de uma criatura de bons sentimentos.

Os espíritos que por vontade própria, por esforço pessoal, já conseguiram se libertar das paixões animalizantes e dos interesses egoísticos da terra têm uma atividade, sejam encarnados ou desencarnados, que se assemelha a uma prece permanente.

Os espíritos superiores cultivam a prece com naturalidade e eficiência extraordinária, enquanto que nós ainda temos que nos esforçar para que a nossa prece atinja o objetivo desejado.

Despojados da ignorância e da perturbação que o mal engendra, nós aos poucos iremos descobrindo que pela prece conseguiremos muita coisa em nosso beneficio espiritual e dos nossos semelhantes e acionaremos com naturalidade o mecanismo de auxilio que ela nos propicia.

Por depender fundamentalmente da sinceridade e da elevação da com que é feita devemos encarar a prece como manifestação espontânea e pura da alma e não apenas como um repetir formal de termos alinhados convencionalmente, de petitório interminável ou de formula mágica para afastar o sofrimento que nos atinge.

Sendo a prece uma manifestação da alma em busca da Presença Divina ou de seus prepostos, ela deve ser despida de todo e qualquer formalismo.

Atitude convencional, posição externa em ritual são vestes dispensáveis ao ato de orar. Pela força do pensamento, após estarmos concentrados, procuramos traduzir a nossa vontade com o melhor dos nossos sentimentos por uma prece, que não deve ser formulada segundo um esquema pré-fabricado. Deve traduzir o que realmente estamos sentindo, pensando e querendo.

Lembrar que a prece é uma conversa com Deus ou com seus prepostos que nos servirão de intermediários, já que é bastante difícil mentalizarmos o Pai (a não ser que nos fixemos em seus atributos: Bondade, Justiça, Harmonia, Amor, etc.)

(Emmanuel, psicografia de Francisco Candido Xavier, Pão Nosso, cap. 109)

Leia também Como praticar o evangelho no lar? AQUI

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O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar o seu retorno à atividade diária, é a prece. Vós orais, quase todos, mas quão poucos sabem realmente orar! Que importam ao Senhor as frases que ligais maquinalmente uma às outras, porque já vos habituastes a...