DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO

PENSAMENTO
Emmanuel
Muitos aprendizes costumam esquecer que se encontram no mundo em serviço de
retificação do pretérito e de auto-iluminação, estacionando em falsos caminhos. Daí, a seu
tempo, surge o veneno sutil da ociosidade, que sempre busca os conselhos de sua mentora, a
complacência, para fazer às ocultas, o que bem entendem. Permanecer com elas na falsa atitude
de conselheiros, seria desempenhar o papel da complacência frente à ociosidade criminosa.

DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO

Havia sempre o que aprender. E constituía enorme satisfação seguir o ativo missionário
das atividades de comunicação. – Hoje, à noite – disse-me o devotado amigo -, observará algumas
demonstrações de desenvolvimento mediúnico. Aguardei as instruções com interesse. No
instante indicado, compareci ao grupo.

– É muito lenta e difícil a transição, entre a animalidade grosseira e a espiritualidade
superior. Nesse sentido, há sempre, entre os homens, um oceano de palavras e algumas gotas
de ação. Nesse instante, os primeiros amigos do plano carnal deram entrada no recinto. O diretor
proferiu tocante prece, no que foi acompanhado por todos os presentes. Dezoito pessoas
mantinham-se em expectativa. – Alguns – explicou Alexandre – pretendem a psicografia, outros
tentam a mediunidade de incorporação. Infelizmente, porém, quase todos confundem poderes
psíquicos com funções fisiológicas. Acreditam no mecanismo absoluto da realização e esperam o
progresso eventual e problemático, esquecidos de que toda edificação da alma requer disciplina,
educação, esforço e perseverança.

Ninguém pode trair a lei impunemente, e, para subir, Espírito algum dispensará o esforço
de si mesmo, no aprimoramento íntimo. Dirigindo-se, de maneira especial, para os circunstantes,
o instrutor recomendou: – Observemos. Postara-se ao lado de um rapaz que esperava, de lápis
em punho, mergulhado em profundo silêncio. Ofereceu-me Alexandre o seu vigoroso auxílio
magnético e contemplei-o, com atenção. Os núcleos glandulares emitiam pálidas irradiações. A
epífise, principalmente, semelhava-se a reduzida semente algo luminosa.

– Repare no aparelho genital – aconselhou-me o instrutor, gravemente. Fiquei
estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por
aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a
movimentação sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático,
formando colônias compactas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais,
invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais
vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os
embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. Que significava aquele acervo de
pequeninos seres escuros?

São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores.
Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções
próprias, através de experiências sexuais variadas, mas também pelo contato com entidades
grosseiras, que se afinam com as predileções dele, entidades que o visitam com frequência, à
maneira de imperceptíveis vampiros. Este rapaz ainda não pode compreender que o corpo físico
é apenas leve sombra do corpo perispiritual, não se capacitou de que a prudência, em matéria
de sexo, é equilíbrio da vida e, percebendo as nossas advertências sobre a temperança, acredita
ouvir remotas lições de aspecto dogmático, exclusivo, no exame da fé religiosa.

A pretexto de aceitar o império da razão pura, na esfera da lógica, admite que o sexo nada
tem que ver com a espiritualidade, como se esta não fosse a existência divina e energia eterna.
O erro de nosso amigo é o de todos os religiosos que supõem a alma absolutamente separada
do corpo físico, quando todas as manifestações psicofísicas se derivam da influenciação
espiritual. Não saíra do meu intraduzível espanto, quando o instrutor me chamou a atenção para
um cavalheiro maduro que tentava a psicografia. – Observe este amigo – disse-me, com
autoridade -, não sente um odor característico? Efetivamente, em derredor daquele rosto pálido,
assinalava-se a existência de atmosfera menos agradável. Semelhava-se o corpo a um tonel de
configuração caprichosa, de cujo interior escapavam certos vapores muito leves, mas
incessantes. Via-se-lhe a dificuldade para sustentar o pensamento com relativa calma. Não tive
qualquer dúvida. Deveria ele usar alcoólicos em quantidade regular.

Vali-me do ensejo para notar-lhe as singularidades orgânicas. O aparelho gastrintestinal
parecia totalmente ensopado em aguardente, porquanto essa substância invadia todos os
escaninhos do estômago e, começando a fazer-se sentir nas paredes do esôfago. Espantava-me
o fígado enorme. Toda a estrutura do órgão se mantinha alterada. Com terrível ingurgitamento,
e também o baço apresenta anomalias estranhas.

– Os alcoólicos – esclareceu Alexandre, com grave entonação – aniquilam-se
vagarosamente. Você está examinando as anormalidades menores. Este companheiro
permanece completamente desviado em seus centros de equilíbrio vital. Todo o sistema
endócrino foi atingido pela atuação tóxica. Inutilmente trabalha a medula para melhorar os
valores da circulação. Em vão, esforçam-se os centros genitais para ordenar as funções que lhes
são peculiares, porque o álcool excessivo determina modificações deprimentes sobre a própria
cromatina. Debalde trabalham os rins na excreção dos elementos corrosivos. O pâncreas, viciado,
não atende com exatidão ao serviço de desintegração dos alimentos. Profundas alterações
modificam-lhe as disposições do sistema nervoso vegetativo e não fossem as glândulas
sudoríparas, seria talvez impossível a continuação da vida física.

O instrutor colocou-me, em seguida, ao lado de uma dama simpática e idosa. Após
examiná-la, atencioso, acrescentou: – Repare nesta nossa irmã. É candidata ao desenvolvimento
da mediunidade de incorporação. Observando-me a estranheza, o orientador falou em meu
socorro: – Temos aqui uma pobre amiga desviada nos excessos de alimentação. Todas as suas
glândulas e centros nervosos trabalham para atender as exigências do sistema digestivo.
Descuidada de si mesma, caiu na glutonaria crassa. Tornando-se presa de seres de baixa
condição.

E porque me conservasse em silêncio, incapacitado de argumentar, ante ensinamentos
tão novos, o instrutor considerou: – Perante estes quadros, você pode avaliar a extensão das
necessidades educativas na esfera da Crosta. A mente encarnada engalanou-se com os valores
intelectuais e fez o culto da razão pura, esquecendo-se de que a razão humana precisa de luz
divina. O homem comum percebe muito pouco e sente muito menos. Ante a eclosão de
conhecimentos novos, em face da onda regeneradora do Espiritualismo que banha as nações
mais cultas da Terra, angustiadas por longos sofrimentos coletivos, necessitamos acionar as
melhores possibilidades de colaboração, para que os companheiros terrestres valorizem as suas
oportunidades benditas de serviço e redenção.

Compreendi que Alexandre se referia, veladamente, ao grande movimento espírita em
virtude de nos encontrarmos nas tarefas de uma casa doutrinária, e não me enganava, porque o
bondoso mentor continuou a dizer, gravemente: – O Espiritismo cristão é a revivescência do
Evangelho de Jesus Cristo, e a mediunidade constitui um de seus fundamentos vivos. A
mediunidade, porém, não é exclusiva dos chamados médiuns. Todas as criaturas a possuem,
porquanto significa percepção espiritual, que deve ser incentivada em nós mesmos. Não bastará,
entretanto, perceber. É imprescindível santificar essa faculdade, convertendo-a no ministério
ativo do bem.

A maioria dos candidatos ao desenvolvimento dessa natureza, contudo, não se dispõe
aos serviços preliminares de limpeza do vaso receptivo. Dividem, inexoravelmente, a matéria e
o espírito, localizando-os em campos opostos, quando nós, estudantes da Verdade, ainda não
conseguimos identificar rigorosamente as fronteiras entre uma e outro, integrados na certeza de
que toda a organização universal se baseia em vibrações puras. Inegavelmente, meu amigo – e
sorriu -, não desejamos transformar o mundo em cemitério de tristeza e desolação. Atender a
santificada missão do sexo, no plano respeitável, usar um aperitivo comum, fazer uma boa
refeição, de modo algum significa desvios espirituais; no entanto, os excessos representam
desperdícios lamentáveis de força, os quais retêm a alma nos círculos inferiores. Ora, para os que
se trancafiam nos cárceres de sombra, não é fácil desenvolver percepções avançadas. Não se
pode cogitar de mediunidade construtiva, sem o equilíbrio construtivo dos aprendizes, na
sublime ciência do bem-viver.

– E por que motivo não dizer tudo isto aos nossos irmãos congregados aqui? Por que não adverti-los austeramente?
– Não, André. Tenhamos calma. Estamos no serviço de evolução e adestramento. Nossos
amigos não são rebeldes ou maus, em sentido voluntário. Estão espiritualmente desorientados
e enfermos. Não podem transformar-se dum momento para outro. Compete-nos, portanto,
ajuda-los no caminho educativo. O orientador deixou de sorrir e acrescentou:
– É verdade que sonham edificar maravilhosos castelos, porém, sem base; alcançar
imensas descobertas exteriores, sem estudarem a si mesmos; mas, gradativamente,
compreenderão que mediunidade elevada ou percepção edificante não constituem atividades
mecânicas da personalidade e sim conquistas do Espírito, para cuja consecução não se pode
prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários, com a autoeducação sistemática
e perseverante. Excetuando-se, porém, essas ilusões infantis, são bons companheiros de luta,
aos quais estimamos carinhosamente, não só como nossos irmãos mais jovens, mas também por
serem credores de reconhecimento pela cooperação que nos prestam, muitas vezes

inconscientemente. Os tenros embriões vegetais de hoje serão as árvores robusta de amanhã.
As tribos ignorantes de ontem constituem a Humanidade de agora. Por isso mesmo, todas as
nossas reuniões são proveitosas, e, ainda que seus passos sejam vacilantes na senda, tudo
faremos para defendê-los contra as perigosas malhas do vampirismo.

Fonte: MISSIONÁRIOS DA LUZ, Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, 17ª
Edição FEB, pgs. 26 a 34; textos escolhidos por Gastão Crivelini e digitados por Bernadete Bin
Crivelini. Distribuição gratuita. Balneário Camboriú/SC, 26 de novembro de 2014
Fonte das Imagens: https://pixabay.com.pt/meditação-espirituais-ioga-1384758

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