E A VIDA CONTINUA... EM JÚPITER
Os Espíritos que habitam Júpiter geralmente se comprazem, quando querem comunicar-se conosco, em descrever seu planeta. Quando lhes perguntamos a razão, respondem que o fazem a fim de nos inspirarem o amor do bem, de par com a esperança de lá chegarmos um dia. Foi com este propósito que um deles, que viveu na Terra com o nome de Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, tentou espontaneamente, e sem que ninguém lho pedisse, uma série de desenhos, tão notáveis por sua originalidade quanto pelo talento de execução, destinados a nos dar a conhecer, nos seus menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para nós. Uns retratam personagens, animais, cenas da vida privada; os mais admiráveis, entretanto, são os que representam habitações, verdadeiras obras primas de que coisa alguma na Terra nos poderia dar uma ideia, pois não se assemelham a nada que conhecemos. É um gênero de arquitetura indescritível, tão original e entretanto tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa, que desafia a mais fecunda imaginação. Victorien Sardou, jovem literato de nosso círculo de amizade, cheio de talento e de futuro, mas sem habilidade de desenhista, lhe serviu de intermediário. Palissy prometeu-nos uma série que de certo modo será uma monografia ilustrada sobre esse mundo maravilhoso. Esperamos que essa original e interessante coletânea sobre a qual falaremos em artigo especial consagrado aos médiuns desenhistas, um dia possa ser entregue ao público.

Que se evoquem Pallissy ou Mozart ou um outro habitante desse mundo feliz; que sejam interrogados; discutam com eles, porque, quanto a mim, mais não faço do que apresentar aquilo que me é dado e repetir aquilo que me é dito; e, por esse papel absolutamente passivo, julgo-me ao abrigo da censura, tanto quanto do elogio.

A migração das almas de planeta a planeta, suas encarnações sucessivas e seu progresso incessante pelo trabalho, os habitantes de Júpiter não nos devem mais causar admiração. Desde o momento em que um Espírito se encarna num mundo como o nosso, submetido a uma dupla revolução, isto é, à alternativa dos dias e das noites e ao retorno periódico das estações e desde que possui um corpo, esse envoltório material, por mais frágil que seja, não somente requer alimentação e vestuário, mas um abrigo ou, pelo menos, um lugar de repouso e, consequentemente, uma habitação.

É exatamente o que nos foi dito. que os habitantes de Júpiter têm seus lares comuns e suas famílias, grupos harmoniosos de Espíritos simpáticos, unidos no triunfo, como o foram na luta. Daí as moradas tão espaçosas que merecem exatamente o nome de palácios.

Os Espíritos têm as suas festas, suas cerimônias, suas reuniões públicas. Daí certos edifícios destinados especialmente a essas finalidades. É preciso estar preparado para encontrar, nessas regiões superiores, uma Humanidade ativa e laboriosa como a nossa, torna-se fácil a conquista para os Espíritos desprendidos de nossos vícios terrenos.

Se Júpiter é habitável só por bons Espíritos, mas não todos do mesmo grau de excelência: entre a bondade do homem simples e a do homem de gênio, podem contar-se muitas nuanças. Ora, toda a organização social desse mundo superior repousa precisamente sobre essa variedade de inteligências e de aptidões e, por efeito de leis harmoniosas, cabe aos Espíritos mais elevados, a direção do planeta. É preciso acrescentar que para esses Espíritos depurados não haveria senão trabalhos intelectuais, pois suas atividades se exercem apenas no campo do pensamento e eles já adquiriram bastante domínio sobre a matéria para não livre no exercício da sua vontade.

O corpo desses Espíritos, é de uma densidade que só pode ser comparada à dos nossos fluidos imponderáveis. Um pouco maior que o nosso corpo, cuja forma reproduz exatamente, entretanto mais bela e mais pura, ele teria, para nós, a aparência de um vapor intangível e luminoso… É exatamente esse brilho magnético, entrevisto pelos visionários cristãos, que os nossos pintores traduziam como o nimbo ou auréola dos santos.

Esses Espíritos lhes permite, um deslocamento tão rápido e fácil que se subtrai tão facilmente à atração planetária, pode movimentar-se, e sem esforço além da vontade. Essa locomoção é tão fácil quanto mais depurado é o Espírito, o que se compreende sem esforço. Assim, nada é mais fácil aos habitantes do planeta do que determinar, logo à primeira vista, o valor de um Espírito que passa.

Em Júpiter, os que voam mais alto são mais raros. Abaixo deles existem várias categorias de Espíritos inferiores, mas naturalmente livres para os igualar um dia, pelo aperfeiçoamento. Escalonados e classificados segundo os seus méritos, dedicam-se mais particularmente aos trabalhos que interessam ao próprio planeta e não exercem sobre os mundos inferiores a autoridade todo-poderosa dos primeiros. É verdade que respondem a uma evocação com revelações sábias e boas, mas, pela pressa que demonstram em nos deixar, como pelo laconismo de suas respostas, compreende-se facilmente que têm alhures muito o que fazer e que ainda não se encontram suficientemente desembaraçados a fim de poderem irradiar. Enfim, seguindo os menos perfeitos desses Espíritos, mas deles separados por um abismo, vêm os animais que, como únicos criados e únicos operários do planeta, merecem referência muito especial.

Os Animais

Se designamos pelo nome de animais esses seres que ocupam os limites inferiores da escala evolutiva. São, na verdade, Espíritos destinados à animalidade, talvez por longo tempo, mas não para sempre, seja qual for o seu futuro, não há equívoco quanto ao seu passado: tais Espíritos, antes de irem para lá, migraram, seguidamente, em mundos inferiores, do corpo de um ou de outro animal, por uma escala de aperfeiçoamento perfeitamente graduada. O estudo atento de nossos animais terrestres, seus costumes, seus caracteres individuais, sua ferocidade longe do homem e sua domesticação lenta, mas sempre possível, tudo indica suficientemente a realidade dessa ascensão animal.

A harmonia do Universo se resume sempre numa lei única: o progresso por toda parte e para todos, para o animal como para a planta, o mineral, os animais, etc. A princípio, um progresso puramente material, nas moléculas insensíveis do metal ou do seixo e cada vez mais inteligente, à medida que subimos na escala dos seres e que a individualidade tende a desembaraçar-se da massa, a se afirmar, a se conhecer.

Esse pensamento elevado e consolador, como nunca havia sido, porque nos prova que nada é sacrificado; que a recompensa é sempre proporcional ao progresso realizado.

É o caso dos Espíritos animais que povoam Júpiter. Aperfeiçoaram-se ao mesmo tempo que nós. A lei é ainda mais admirável: ela tanto faz de seu devotamento ao homem a primeira condição para sua ascensão planetária, que a vontade de um Espírito de Júpiter pode chamar para si todo animal que, numa de suas vidas anteriores, lhe houver dado provas de afeição. Essas simpatias, que lá no alto formam famílias de Espíritos, também agrupam em torno das famílias todo um cortejo de animais dedicados.

Será assim um animal operário, pois aos seus semelhantes fica reservado todo trabalho material, todo esforço corporal: carga ou construção, semeadura ou colheita. Para tudo isto a Suprema Inteligência preparou um corpo que participa simultaneamente das vantagens do animal. O corpo levemente peludo, apruma-se, como o nosso; alguns, as patas desapareceram, dando lugar a certas pernas que lembram ainda a forma primitiva e a dois braços robustos, singularmente implantados e terminados por duas mãos. A fisionomia reflete algo de humano, mas o crânio, o maxilar e sobretudo a orelha, em nada diferem dos animais terrestres. Adequadamente vestidos muito semelhantes às nossas roupas, só lhes falta a palavra articulada para se parecerem com alguns homens daqui. Hábeis para se entenderem entre si, por meio de uma linguagem que nada tem da nossa, não mais se enganam quanto às intenções dos Espíritos que os dirigem: um olhar, um gesto lhes é bastante. A certos impulsos magnéticos, cujo segredo já conhecem os nossos domadores de feras, o animal adivinha e obedece sem murmurar e, o que é mais importante, voluntariamente, porque está fascinado. É assim que lhe é imposta toda tarefa pesada e que, com seu auxílio, tudo funciona regularmente, de um a outro extremo da escala social: o Espírito elevado pensa e delibera; o Espírito inferior age por sua própria iniciativa e o animal executa. Assim, a concepção, a execução e o fato se unem numa mesma harmonia e levam todas as coisas à sua conclusão.

Julnius, A Cidade

Pelas descrições feitas pelos Espíritos, podemos fazer uma ideia de sua grande cidade, da cidade por excelência, desse foco de luz e de atividade que eles concordam em chamar – o que nos parece estranho – pelo nome latino de Julnius.

“Julnius” se compara ao maior de nossos continentes”, diz Palissy, “num vale de setecentas a oitocentas léguas de largura, para utilizar vosso sistema de medidas, um rio magnífico desce das montanhas do norte e, aumentado por uma porção de torrentes e ribeirões, forma em seu percurso sete ou oito lagos dos quais o menor mereceria entre vós o nome de mar. Foi sobre as bordas do maior desses lagos, batizado com o nome de Pérola, que os nossos antepassados lançaram os alicerces de Julnius. Essa cidade primitiva ainda existe, venerada e guardada como preciosa relíquia. Sua arquitetura muito difere da vossa. Apertado entre altas montanhas, o lago se derrama no vale por oito enormes cataratas, que formam outras tantas correntes isoladas e dispersas em todas as direções. Com o auxílio dessas correntes cavam-se na planície uma porção de regatos, de canais e de lagos, reservando o solo firme apenas para as casas e os jardins. Daí resulta uma espécie de cidade anfíbia, como a Veneza, à primeira vista, não se poderia dizer se foi construída sobre a terra ou sobre a água. Hoje nada se diz sobre quatro edifícios sagrados construídos a montante das cataratas, de modo que a água jorra em catadupa de seus próprios pórticos. Essas obras vos pareceriam incríveis por sua grandeza e por sua ousadia.

“Aqui se descreve a cidade terrestre, de certo modo material, cidade das ocupações planetárias, enfim aquela a que chamamos a Cidade Baixa. Tem suas ruas, ou melhor, os seus caminhos traçados para o serviço interno; tem suas praças públicas, seus pórticos e suas pontes lançadas sobre os canais, para a passagem dos serviçais. Mas a cidade inteligente, ou cidade espiritual, a verdadeira Julnius, enfim, não deve ser procurada no solo. Ela está no ar, isso mesmo, ela fica suspensa na atmosfera.

“Para o corpo material de nossos animais incapazes de voar é necessária a terra firme, mas o corpo fluídico dos habitantes, exige um alojamento aéreo como ele próprio, quase impalpável e móvel à vossa vontade. A habilidade resolveu esse problema com o auxílio do tempo e das condições privilegiadas que o Grande Arquiteto concedeu. Bem compreendes que essa conquista dos ares era indispensável a Espíritos como os nossos. Nosso dia é de apenas cinco horas e nossa noite igualmente de cinco, mas tudo é relativo, e para seres prontos a pensar e agir como nós; para Espíritos que se compreendem pela linguagem dos olhos e que sabem comunicar-se magneticamente à distância, nosso dia de cinco horas equivaleria a uma semana de vossas atividades. Isso tudo ainda era muito pouco, em nossa opinião. A imobilidade da morada, o ponto fixo do lar eram um entrave para todas as nossas grandes obras. Hoje, pelo fácil deslocamento dessas moradas de pássaros, pela possibilidade de nos transportarmos, assim como aos nossos, para qualquer lugar do planeta, à hora que bem quisermos, nossa existência duplicou.

“Em certas épocas do ano”, acrescenta o Espírito, “em certas festas, por exemplo, verás aqui o céu obscurecido pela nuvem de habitações que vêm de todos os pontos do horizonte. É um curioso ajuntamento de moradias esbeltas, graciosas, leves, de todas as formas, de todas as cores, equilibradas em diversas alturas e continuamente em marcha, da cidade baixa para a cidade celeste. Alguns dias depois, faz-se o vazio pouco a pouco e todos esses pássaros se vão.”

Nada falta a essas moradas flutuantes, nem mesmo o encanto da verdura e das flores. Falo de uma vegetação sem similar entre vós, de plantas e até de arbustos que, pela natureza de seus órgãos, vivem, respiram, alimentam-se e se reproduzem no ar.

Diz ainda o mesmo Espírito:

“Temos esses buquês de flores enormes, cujas formas e nuanças nem podeis imaginar, e de uma textura tão delicada, que as torna quase transparentes. Balouçando-se no ar, onde largas folhas as sustêm, providas de gavinhas semelhantes às da videira, reúnem-se em nuvens de mil tons ou se dispersam ao sabor do vento e oferecem um espetáculo encantador aos transeuntes da cidade baixa… Imagina a graça dessas jangadas de verdura, desses jardins flutuantes que nossa vontade pode fazer e desfazer e que por vezes duram toda uma estação! Longos rastilhos de lianas e de ramos floridos se destacam dessas alturas e descem até o solo; cachos enormes se agitam, exalando perfume das pétalas que se destacam… Os Espíritos que viajam pelo ar aí estacionam: é um lugar de repouso e de reencontro e, se assim o desejarem, um meio de transporte para terminar uma viagem sem fadigas e em boa companhia.”

“Neste instante é noite em Julnius e me acho sentado à distância, numa dessas flores do ar que só se abrem aqui à claridade de nossas luas. A meus pés dorme toda a cidade baixa; mas acima da minha cabeça e em volta de mim, a perder de vista, só há movimento e alegria no espaço. Dormimos pouco: nossa alma é muito desprendida, de modo que as necessidades do corpo não a tiranizam. A noite é feita mais para os nossos servos (os animais) do que para nós. É a hora das visitas, das conversas longas, dos passeios solitários, dos devaneios, da música. Só vejo moradas aéreas resplendentes de luz ou jangadas de folhas e de flores carregadas de bandos alegres… A primeira de nossas luas ilumina toda a cidade baixa: é uma luz suave, comparável à dos vossos luares; mas, da margem do lago eleva-se a segunda, a de reflexos esverdeados, que dão a todo o rio o aspecto de um vasto gramado…”

A Casa de Mozart

É sobre a margem direita desse rio, “cuja água, diz o Espírito, dar-te-ia a impressão da consistência de um vapor muito leve”, que está construída a casa de Mozart, cujo desenho Palissy teve a bondade de me fazer reproduzir. Apresento aqui apenas a fachada do lado sul. A grande entrada fica à esquerda, olhando a planície; à direita fica o rio; ao norte e ao sul estão os jardins. Perguntei a Mozart quem eram seus vizinhos.

– Mais acima e mais abaixo, dois Espíritos que não conheces, mas à esquerda apenas um grande prado me separa do jardim da casa de Cervantes.

A casa tem quatro faces, como as nossas, mas seria erro considerar isto como regra geral. É construída com uma certa pedra que os animais tiram das pedreiras e cuja cor o Espírito compara aos tons esverdeados que por vezes toma o azul do céu, ao pôr do sol. Quanto a sua dureza: “que ela fundir-se-ia sob a pressão de nossos dedos humanos tão rapidamente quanto um floco de neve, posto seja uma das matérias mais resistentes daquele planeta! Nessas paredes os Espíritos esculpiram ou incrustaram estranhos arabescos que o desenho procura reproduzir. São ornamentos gravados na pedra e depois coloridos, ou incrustações feitas na solidez da pedra verde por um processo que mantém toda a graça dos contornos dos vegetais, toda a delicadeza de seus tecidos e toda a riqueza de seu colorido. “Uma descoberta”, acrescentou o Espírito, “que fareis um dia e que entre vós mudará muitas coisas.”

A grande janela da direita apresenta um exemplo desse gênero de ornatos: uma de suas bordas mais não é que um enorme caniço, cujas folhas foram conservadas. O mesmo ocorre no coroamento da janela principal, que imita a forma da clave de sol: são plantas sarmentosas enlaçadas e petrificadas. É por tal processo que eles obtêm a maior parte dos coroamentos dos edifícios, dos portões, das balaustradas, etc. Por vezes a planta é colocada na parede, com suas raízes, em condições de crescer livremente. Ela cresce, desenvolve-se, suas flores se espalham ao acaso, e o artista não as petrifica no lugar senão quando adquiriram todo o desenvolvimento desejado para a ornamentação do edifício.

Inicialmente destinado só aos móveis, depois aos batentes das portas e das janelas, esse gênero de ornamento aperfeiçoou-se pouco a pouco e acabou por invadir toda a arquitetura. Hoje não são petrificados apenas as flores e os arbustos, mas as próprias árvores, da raiz até a copa. Os palácios, como outros edifícios, praticamente não têm outras colunas.

Uma petrificação da mesma natureza serve também à decoração das janelas. Flores ou folhas muito grandes são habilmente despojadas de sua parte carnuda. Não resta mais que um feixe de fibras, tão finas quanto a mais fina musselina. Cristalizam-nas, e dessas folhas reunidas com arte constroem toda a janela, que apenas filtra para o interior uma luz muito suave. Também as impregnam de uma espécie de vidro líquido e colorido de todos os matizes, que endurece no ar e que transforma a folha numa espécie de vidraça. Do arranjo dessas folhas nas janelas resultam encantadores ramos transparentes e luminosos.

Quanto às dimensões dessas aberturas e a inúmeros outros detalhes que, à primeira vista, podem surpreender, vejo-me obrigado a uma explicação: a história da arquitetura em Júpiter exigiria um volume inteiro. Também desisto de falar no mobiliário, para me restringir, aqui, à disposição geral da casa.

Depois do que precede, o leitor deve ter compreendido que a casa do continente não deve ser para o Espírito mais que uma espécie de pousada.

A Casa dos Animais e Serviçais

A cidade baixa quase que só é frequentada por Espíritos de segunda categoria, encarregados dos interesses planetários, da agricultura, por exemplo, ou das trocas e da boa ordem que deve ser mantida entre os serviçais. Assim, todas as casas que estão no solo, geralmente dispõem de um pavimento térreo e um superior, o térreo destinado aos Espíritos que atuam sob a direção do senhor, também acessível aos animais; o outro reservado unicamente ao Espírito, que aí mora apenas ocasionalmente. Eis o que explica o fato de vermos nas diversas casas de Júpiter, nesta, por exemplo, como na de Zoroastro, uma escadaria e até uma rampa. Aquele que rasa a água, como uma andorinha e que pode correr sobre as hastes do trigo sem curvá-las, pode perfeitamente dispensar a escadaria e a rampa para penetrar na sua casa. Mas os Espíritos inferiores não têm o voo tão fácil. Não se elevam senão por movimentos irregulares e nem sempre a rampa lhes é inútil. Enfim, a escadaria é de absoluta necessidade para os animais serviçais, que apenas andam. Estes últimos também possuem seus pavilhões, aliás muito elegantes, e que fazem parte de todas as grandes habitações, mas suas funções os chamam, constantemente, à casa do senhor, e é necessário facilitar-lhes a entrada e o trânsito interno. Daí essas construções originais, cuja base assemelha-se aos nossos edifícios terrestres e dos quais diferem inteiramente na parte superior.

Esta se distingue por uma originalidade que seríamos absolutamente incapazes de imitar. É uma espécie de flecha aérea que balança no topo do edifício, acima da grande janela e de seu original coroamento. A essa gávea delicada e fácil de deslocar está determinado, entretanto, no pensamento do artista, permanecer no lugar que lhe foi definido porque, sem repousar em coisa alguma no frontão, completa-lhe a decoração. Lamentavelmente a dimensão da prancha não permitiu encontrar espaço para ela.

Seria erro concluir que a música de Júpiter seja comparável à nossa e que se represente pelos mesmos sinais. Mozart explicou-se sobre isto, de maneira a não deixar dúvidas. Mas, na decoração de suas casas, os Espíritos lembram a missão terrestre que lhes deu o mérito da encarnação em Júpiter e que resume magnificamente a feição de sua inteligência. Assim, na casa de Zoroastro são os astros e a chama que constituem todos os elementos decorativos.

Além disto, parece que esse simbolismo tem suas regras e seus segredos. Esses ornamentos todos não se dispõem ao acaso. Eles têm sua ordem lógica e sua significação precisa, mas é uma arte que os Espíritos de Júpiter se abstêm de fazer-nos compreender, pelo menos por enquanto, e sobre a qual não se explicam de bom grado.

Nossos antigos arquitetos também empregavam o simbolismo na decoração de suas catedrais. A Torre de São Tiago é um poema hermético, se dermos crédito à tradição. Portanto, não há motivo para nos admirarmos da originalidade da decoração arquitetônica em Júpiter. Se ela contraria as nossas ideias sobre a arte humana é que, na verdade, existe um abismo entre uma arquitetura que vive e fala e uma alvenaria inexpressiva como a nossa. Nisto, como em tudo o mais, a prudência nos permite evitar esse erro do relativismo, que quer reduzir tudo às proporções e aos hábitos do homem terreno. Se os habitantes de Júpiter morassem como nós, comessem, vivessem, dormissem e andassem como nós, não haveria muita vantagem em ir para lá. É porque o seu planeta difere muito do nosso que desejamos conhecê-lo e sonhamos com ele como nossa futura morada.

O Homem de Júpiter

De todos os planetas, o mais adiantado em todos os sentidos é Júpiter. É o reino exclusivo do bem e da justiça, porque só tem bons Espíritos. Pode-se fazer uma ideia do estado feliz de seus habitantes, pelo quadro que demos de um mundo habitado apenas por Espíritos da segunda ordem.

A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral dos seus habitantes; está também na sua constituição física. Eis a descrição que nos foi dada desse mundo privilegiado, onde se encontra a maior parte dos homens de bem que honraram nossa Terra com sua virtude e com seu talento:

A conformação do corpo é mais ou menos a mesma dos habiantes da Terra, mas ele é menos material, menos denso e de um peso específico muito pequeno. Enquanto nós rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter se transporta de um a outro lugar, deslizando pela superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água. Sendo mais depurada a matéria de que é formado o corpo, dissipa-se após a morte, sem ser submetida à decomposição pútrida. Ali não se conhece a maioria das moléstias que nos afligem, sobretudo aquelas originadas nos excessos de todo gênero e na devastação das paixões. A alimentação está em analogia com essa organização eterizada; não seria suficientemente substancial para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria demasiado pesada para eles. É composta de frutos e plantas, aliás, eles a haurem de alguma maneira, em sua maior parte, no meio ambiente, cujas emanações nutritivas aspiram. A duração da vida é proporcionalmente muito maior do que na Terra. A média equivale a cerca de cinco dos nossos séculos. O desenvolvimento é também muito rápido e a infância dura apenas alguns meses.

Sob esse envoltório leve, os Espíritos se desprendem facilmente e entram em comunicação recíproca apenas pelo seu pensamento, sem contudo se excluir a linguagem articulada; também a segunda vista lhes é faculdade permanente. Seu estado normal pode ser comparado ao de nossos sonâmbulos lúcidos. É por isso que eles se nos manifestam mais facilmente que os encarnados em mundos mais grosseiros e mais materiais. A intuição que têm do seu futuro; a segurança dada por uma consciência isenta de remorsos fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão. Veem-na chegar sem medo e como uma simples transformação.

Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, posto não se aproximem daquele do homem, mesmo em relação ao físico. Seu corpo, mais material, está preso ao solo, como os nossos à Terra. Sua inteligência é mais desenvolvida que a dos nossos. A estrutura de seus membros adapta-se a todas as exigências do trabalho. Eles são encarregados da execução de obras manuais. São os servos e os capatazes. As ocupações do homem são puramente intelectuais. Para eles o homem é uma divindade, mas uma divindade tutelar, que jamais abusa de seu poder para oprimi-los.

O planeta Júpiter, a despeito do quadro sedutor que nos foi dado, não é, entretanto, o mais perfeito dos mundos. Outros há, que nós desconhecidos, que são muito superiores, física, e moralmente, e cujos habitantes gozam de felicidade ainda mais perfeita: são eles o repouso dos Espíritos mais elevados, cujo envoltório etéreo nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.

Perguntas e Respostas Sobre Júpiter

NOTA: Por evocações anteriores, sabíamos que Bernard Palissy, o célebre oleiro do século XVI, habita Júpiter. As respostas que se seguem confirmam, em todos os pontos, quanto nos foi dito sobre esse planeta, em várias ocasiões, por outros Espíritos e através de diferentes médiuns. Pensamos que serão lidas com interesse, como complemento do quadro que traçamos em nosso último número. A identidade que apresentam com as descrições anteriores é um fato notável que vale pelo menos como uma presunção de exatidão.

1. – Para onde foste ao deixar a Terra?
– Ainda me demorei nela por muito tempo.

2. – Em que condições estavas aqui?
– Sob o aspecto de uma mulher amorosa e dedicada. Era uma simples missão.

3. – Essa missão durou muito?
– Apenas trinta anos.

4. – Lembra-se do nome dessa mulher?
– Prefiro não dizer.

5. – Agrada-te a estima em que são tidas as tuas obras? Isto te compensa os sofrimentos que suportaste?
– Que me importam as obras materiais de minhas mãos? O que me importa é o sofrimento que me elevou.

6. – Com que fim traçaste, pela mão do Sr. Victorien Sardou os admiráveis desenhos que nos deste sobre o planeta Júpiter, onde habitas?
– Com o fim de vos inspirar o desejo de vos tornardes melhores.

7. – Tendo em vista que vens com frequência a esta Terra que habitaste várias vezes, deves conhecer bastante o seu estado físico e moral para estabelecer uma comparação entre ela e Júpiter. Pediríamos que nos elucidasses sobre diversos pontos.
– Ao vosso globo venho apenas como Espírito. O Espírito não tem mais sensações materiais.

Estado Físico do Globo

8. – Pode-se comparar a temperatura de Júpiter à de a de nossp Planeta?
– Ela é suave e temperada; é sempre igual, enquanto a vossa varia. Lembrai-vos dos Campos Elíseos, cuja descrição já vos fizeram.

9. – O quadro que os Antigos nos deram dos Campos Elíseos seria resultado do conhecimento intuitivo que eles tinham de um mundo superior, tal como Júpiter, por exemplo?
– Do conhecimento positivo. A evocação permanecia nas mãos dos sacerdotes.

10. – A temperatura, como aqui, varia conforme a latitude?
– Não. Já vos disse que é sempre igual em todas as latitudes e em todas as épocas.

11. – Segundo os nossos cálculos, o Sol deve aparecer aos habitantes de Júpiter em tamanho muito pequeno e, consequentemente, dar muito pouca luz. Podes dizer-nos se a intensidade da luz é igual à da Terra ou se é menos forte?
– Júpiter tem uma luz própria, uma espécie de luz espiritual. A luz do vosso Sol não influencia o planeta.

12. – Há uma atmosfera?
– Sim.

13. – A atmosfera de Júpiter é formada dos mesmos elementos que a atmosfera terrestre?
– Não. Os homens não são os mesmos. Suas necessidades mudaram.

14. – Lá existe água e mares?
– Sim.

15. – A água é formada dos mesmos elementos que a nossa?
– Mais etérea.

16. – Há vulcões?
– Não. Nosso globo não é atormentado como o vosso. Lá a Natureza não tem grandes crises. É a morada dos bem-aventurados. Nele, a matéria quase não existe.

17. – As plantas têm analogia com as nossas?
– Sim, mas são mais belas.

Estado Físico Dos Habitantes

18. – A conformação do corpo dos seus habitantes tem relação com a nossa?
– Sim, ela é a mesma, mas não é igual.

19. – Podes dar-nos uma ideia de sua estatura, comparada com a dos habitantes da Terra?
– Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O corpo do homem é como o molde de seu espírito: belo, onde ele é bom. O envoltório é digno dele: não é mais uma prisão.

20. – Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?
– Há uns e outros. Uns têm tal propriedade, outros têm outra, conforme a sua finalidade.

21. – Compreendemos isto em relação aos corpos inertes. Mas nossa pergunta refere-se aos corpos humanos.
– O corpo envolve o Espírito sem ocultá-lo, como um tênue véu lançado sobre uma estátua. Nos mundos inferiores o envoltório grosseiro oculta o Espírito aos seus semelhantes. Mas os bons nada mais têm a ocultar: cada um pode ler no coração dos outros. Que aconteceria se assim fosse aqui?

22. – Lá existe diferença de sexo?
– Sim, há por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.

23. – Qual é a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal como aqui?
– Puramente vegetal. O homem é o protetor dos animais.

24. – Disseram-nos que parte de sua alimentação é extraída do meio ambiente, cujas emanações eles aspiram. É verdade?
– Sim.

25. – Comparada com a nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?
– Mais longa.

26. – Qual é a duração média da vida?
– Como medir o tempo?

27. – Não podes tomar um dos nossos séculos como termo de comparação?
– Creio que mais ou menos cinco séculos.

28. – O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o nosso?
– O homem conserva sua superioridade: a infância não comprime a inteligência nem a velhice a extingue.

29. – Os homens são sujeitos a doenças?
– Não estão sujeitos aos vossos males.

30. – A vida está dividida entre o sono e a vigília?
– Entre a ação e o repouso.

31. – Poderias dar-nos uma ideia das várias ocupações dos homens?
– Teria que falar muito. Sua principal ocupação é o encorajamento dos Espíritos que habitam os mundos inferiores, a fim de que perseverem no bom caminho. Não havendo entre eles infortúnios a serem aliviados, vão procurá-los onde esses existem: são os bons Espíritos que vos amparam e vos atraem para o bom caminho.

32. – Lá são cultivadas algumas artes?
– Lá elas são inúteis. As vossas artes são brinquedos que distraem as vossas dores.

33. – A densidade específica do corpo humano permite ao homem transportar-se de um a outro ponto, sem ficar, como aqui, preso ao solo?
– Sim.

34. – Existem lá o tédio e o desgosto da vida?
– Não. O desgosto da vida origina-se no desprezo de si mesmo.

35. – Sendo o corpo dos habitantes de Júpiter menos denso que os nossos, é formado de matéria compacta e condensada ou vaporosa?
– Compacta para nós, mas não para vós. Ela é menos condensada.

36. – O corpo, considerado como feito de matéria, é impenetrável?
– Sim.

37. – Os habitantes têm, como nós, uma linguagem articulada?
– Não. Há entre eles a comunicação pelo pensamento.

38. – A segunda vista é, como nos informaram, uma faculdade normal e permanece entre vós?
– Sim. O Espírito não conhece entraves. Nada lhe é oculto.

39. – Se nada é oculto ao Espírito, conhece ele o futuro? (Referimo-nos aos Espíritos encarnados em Júpiter).
– O conhecimento do futuro depende do grau de perfeição do Espírito: isto tem menos inconvenientes para nós do que para vós; é-nos mesmo necessário, até certo ponto, para a realização das missões de que nos incumbem. Mas dizer que conhecemos o futuro sem restrições seria nivelar-nos a Deus.

40. – Podeis revelar-nos tudo quanto sabeis sobre o futuro?
– Não. Esperai até que tenhais merecido sabê-lo.

41. – Comunicai-vos mais facilmente que nós com os outros Espíritos?
– Sim; sempre. Não existe mais a matéria entre eles e nós.

42. – A morte inspira o mesmo horror e pavor que entre nós?
– Por que seria ela apavorante? Entre nós já não existe o mal. Só o mau se apavora ante o seu último instante. Ele teme o seu juiz.

43. – Em que se transformam os habitantes de Júpiter depois da morte?
– Crescem sempre em perfeição, sem passar por mais provas.

44. – Não haverá em Júpiter Espíritos que se submetam a provas a fim de cumprir uma missão?
– Sim, mas não é uma prova. Só o amor do bem os leva ao sofrimento.

45. – Podem eles falhar em sua missão?
– Não, porque são bons. Só existe fraqueza onde há defeitos.

46. – Poderias nomear alguns dos Espíritos habitantes de Júpiter que tenham desempenhado uma grande missão na Terra?
– São Luís, Mozart, Cervantes.

47. – Não poderias nomear outros?
– Que vos importa? Há missões desconhecidas, cujo objetivo é a felicidade de um só. Por vezes são as maiores e as mais dolorosas.

Dos Animais

48. – O corpo dos animais é mais material que o dos homens?
– Sim. O homem é o rei, o deus planetário.

49. – Há animais carnívoros?
– Os animais não se estraçalham mutuamente. Vivem todos submetidos ao homem e se amam entre si.

50. – Há porém animais que escapam à ação do homem, assim como os insetos, os peixes e os pássaros?
– Não. Todos lhe são úteis.

51. – Disseram-nos que os animais são os operários e os capatazes que executam os trabalhos materiais, constroem as habitações, etc. É exato?
– Sim. O homem não mais se rebaixa para servir ao semelhante.

52. – Os animais servidores estão ligados a uma pessoa ou família, ou são tomados e trocados à vontade, como aqui?
– Todos estão ligados a uma família particular. Vós mudais à procura do melhor.

53. – Os animais servidores vivem em escravidão ou no estado de liberdade? São uma propriedade, ou podem, à vontade, mudar de patrão?
– Estão no estado de submissão.

54. – Os animais trabalhadores recebem alguma remuneração por seus trabalhos?
– Não.

55. – As faculdades dos animais são desenvolvidas por uma espécie de educação?
– Eles as desenvolvem por si mesmos.

56. – Têm os animais uma linguagem mais precisa e caracterizada que a dos animais terrenos?
– Certamente.

Estado Moral dos Habitantes

57. – As habitações de que nos deste uma mostra nos teus desenhos estão reunidas em cidades como aqui?
– Sim. Aqueles que se amam se reúnem. Só as paixões estabelecem a solidão em torno do homem. Se o homem ainda mau procura o seu semelhante, que é para ele um instrumento de dor, por que o homem puro e virtuoso deveria fugir de seu irmão?

58. – Os Espíritos são iguais ou de várias graduações?
– De diversos graus, mas da mesma ordem.

59. – Pedimos que te reportes especialmente à escala espírita e que nos digas a que ordem pertencem os Espíritos encarnados em Júpiter.
– Todos bons, todos superiores. Por vezes o bem desce até o mal; entretanto, o mal jamais se mistura com o bem.

60. – Os habitantes formam diferentes povos como aqui na Terra?
– Sim, mas todos unidos entre si pelos laços do amor.

61. – Sendo assim, as guerras são desconhecidas?
– Sim, Pergunta inútil.

62. – O homem poderá chegar, na Terra, a um tal grau de perfeição que a guerra fosse desnecessária?
– Ele chegará a isto, sem a menor dúvida. A guerra desaparecerá com o egoísmo dos povos e à medida que melhor seja compreendida a fraternidade.

63. – Os povos são governados por chefes?
– Sim.

64. – Em que consiste a autoridade dos chefes?
– No seu grau superior de perfeição.

65. – Em que consiste a superioridade e a inferioridade dos Espíritos em Júpiter, de vez que todos são bons?
– Eles têm maior ou menor soma de conhecimentos e de experiência; depuram-se à medida que se esclarecem.

66. – Como aqui na Terra, lá existem povos mais ou menos avançados que outros?
– Não, mas entre os povos há diversos graus.

67. – Se o povo mais adiantado da Terra fosse transportado para Júpiter, que posição ocuparia?
– A que entre vós é ocupada pelos macacos.

68. – Lá os povos se regem por leis?
– Sim.

69. – Há leis penais?
– Se não há mais crimes.

70. – Quem faz as leis?
– Deus as fez.

71 – Há ricos e pobres? Por outras palavras: há homens que vivem na abundância e no supérfluo e outros a quem falta o necessário?
– Não. Todos são irmãos. Se um possuísse mais do que o outro, com esse repartiria; não seria feliz quando seu irmão fosse necessitado.

72. – De acordo com isso as fortunas de todos seriam iguais?
– Eu não disse que todos são igualmente ricos. Perguntaste se haveria gente com o supérfluo enquanto a outros faltasse o necessário.

73. – As duas respostas se nos afiguram contraditórias. Pedimos que estabeleças a concordância.
– A ninguém falta o necessário; ninguém tem o supérfluo. Por outras palavras, a fortuna de cada um está em relação com a sua condição. Estais satisfeito?

74. – Agora compreendemos. Mas perguntamos, entretanto, se aquele que tem menos não é infeliz em relação àquele que tem mais?
– Ele não pode sentir-se infeliz, se nem é invejoso nem ciumento. A inveja e o ciúme produzem mais infelizes que a miséria.

75. – Em que consiste a riqueza em Júpiter?
– Em que isto vos importa?

76. – Há desigualdades sociais?
– Sim.

77. – Em que estas se fundam?
– Nas leis da sociedade. Uns são mais adiantados que outros na perfeição. Os superiores têm sobre os outros uma espécie de autoridade, como um pai sobre os filhos.

78. – As faculdades do homem são desenvolvidas pela educação?
– Sim.

79. – Pode o homem adquirir bastante perfeição na Terra para merecer passar imediatamente a Júpiter?
– Sim. Mas na Terra o homem é submetido a imperfeições a fim de estar em relação com os seus semelhantes.

80. – Quando um Espírito deixa a Terra e deve reencarnar-se em Júpiter, fica errante durante algum tempo, até encontrar o corpo a que se deve unir?
– Fica errante durante algum tempo, até que se tenha livrado das imperfeições terrenas.

81. – Há várias religiões?
– Não. Todos professam o bem e todos adoram um só Deus.

82. – Há templos e um culto?
– Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.

Fonte: Revista Espirita de Abril de 1858 Pag. 112 e 347 –
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Victorien Sardou

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Os Espíritos que habitam Júpiter geralmente se comprazem, quando querem comunicar-se conosco, em descrever seu planeta. Quando lhes perguntamos a razão, respondem que o fazem a fim de nos inspirarem o amor do bem, de par com a esperança de lá chegarmos um dia. Foi com este propósito que...