O processo reencarnatório ocorre de forma natural. Leis automáticas atuam no processo de forma a possibilitar a reencarnação sem, necessariamente, a atuação de qualquer agente externo. O organismo humano está preparado para, ocorrendo a fecundação, receber um espírito reencarnante. Ele, por si só, através de seu perispírito, será o agente das mudanças físicas necessárias ao seu progresso, durante o processo de divisão celular. A ocorrência da concepção atrairá, na maioria das vezes, um espírito para o corpo. Uma espécie de “janela” se abre para a ligação perispiritual. Pode-se dizer que ocorre uma predisposição orgânica para a ligação de um reencarnante. Algum mecanismo biológico é disparado, ou não é disparado, quando não há espírito para reencarnar. Talvez o disparo ou não, ocorra por conta de opções havidas anteriormente por parte da mãe. A mulher, mesmo sem qualquer problema orgânico que a impossibilite engravidar, traz, de alguma forma, uma matriz em seu perispírito que promove o impedimento. Algum mecanismo que nos escapa a compreensão impede a ocorrência da fecundação ou da concepção.

De acordo com O Livro dos Espíritos, na edição de 1860 a segunda, de Allan Kardec, a união do espírito ao corpo começa na concepção, isto é, na geração ou na ligação do óvulo fecundado ao corpo materno. A concepção é o ato que inicia a ligação energética do espírito a um novo corpo. O espírito que vai reencarnar, liga-se ao óvulo fecundado através de um filamento fluídico (energético) que se estreita até o nascimento. Essa ligação não permite que outro espírito lhe possa tomar o lugar, porém não é suficiente forte para impedir que haja desistência. Por algum receio quanto às provas a que iria submeter-se, o reencarnante pode recuar da nova existência.

Em O Livro dos Espíritos, questão 344, Allan Kardec faz a seguinte pergunta: “Em que momento a alma se une ao corpo? A resposta dos espíritos vem de forma clara: “A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se encontra no número dos vivos e dos servos de Deus.”

A ligação é frágil, tênue. Quando não ocorre desistência por vontade do espírito, o desligamento na fase intrauterina se dá por imperfeição da matéria, e serve como prova para os pais (prova acidental?). Tal prova imposta aos pais, não impede que o ex-reencarnante encontre outro corpo para nascer. O que pode acontecer dentro da mesma família ou não. Interrompida a reencarnação, nem sempre é possível obter imediatamente um novo corpo para aquele espírito. Por vezes há a necessidade de se esperar circunstâncias mais favoráveis.

Essa ligação na concepção não significa que o espírito já esteja compreendido dentro dos limites estreitos do corpo em formação. Ele apenas está ligado ao embrião em desenvolvimento. Durante o período de gestação, geralmente o espírito fica perturbado e aos poucos vai perdendo a lembrança da última encarnação. À medida que o nascimento vai se aproximando, a lembrança do passado vai se tornando mais fraca. Quando retorna à sua condição de espírito, com a morte do corpo, recobra gradativamente sua memória espiritual. Mesmo ligado ao corpo físico, o espírito não perde totalmente a lembrança do passado, pois seus defeitos e qualidades, bem como seus sentimentos, gradualmente reaparecem. Embora esteja ligado ao corpo em formação nem sempre está em seu interior. Preso fluidicamente ao corpo, pode, por sua evolução, estar livre de sua influência até seu nascimento, quando nele se acopla definitivamente para aquela encarnação. Durante a gestação, cada vez mais o espírito se torna inconsciente, perdendo as forças, mergulhando em sono profundo, possibilitando sua reencarnação.

O desenvolvimento de um corpo, durante a gestação, não implica na existência de um espírito, porém, toda criança quando nasce tem necessariamente um espírito encarnado. A formação de um novo corpo independente da presença do espírito, pois obedece a leis biológicas e conta com o auxílio do perispírito materno para se desenvolver. O aborto voluntário implica na impossibilidade de um espírito reencarnar, constituindo-se numa transgressão à vida, às leis de Deus. Todo aquele que pratica ou colabora na sua execução, à exceção do aborto terapêutico, ainda não compreende o valor da vida, demonstrando dessa forma sua ignorância, necessitando aprender através de processos educativos em novas encarnações.

O processo da reencarnação por vezes tem que atravessar etapas complexas. Quando o futuro reencarnante teve, ou ainda tem, divergências significativas com um dos pais ou com ambos, que impediram a convivência no passado, será importante um trabalho anterior de aproximação para facilitar o processo educativo futuro. As divergências passadas são geralmente trabalhadas antes da reencarnação, o que não impede que tais sentimentos voltem a ocorrer durante a gestação ou após o nascimento. Algumas dificuldades de relacionamento entre pais e filhos decorrem disso. É nesse aspecto que a Psicologia infantil não pode prescindir dos conceitos reencarnatórios. A criança, vista dentro do contexto amplo das vidas sucessivas, será entendida de forma mais global, permitindo uma abordagem precisa de seu comportamento. Compreendê-la dentro dos limites estreitos de uma existência atual, promove limitações nos métodos de auxílio ao seu desenvolvimento.

Uma vez definidos os pais, passa-se a verificar se, geneticamente, as heranças cromossômicas deverão ser repassadas para o reencarnante. Em caso negativo, haverá a normalização dos genes defeituosos de seus futuros pais. Tais características maternas e paternas podem não fazer parte dos processos educativos referentes ao reencarnante. Da mesma forma haverá alteração cromossômica para acrescentar características não herdadas, ao corpo físico. Tal modificação dá-se pela influência do perispírito do reencarnante. Essa influência ocorre durante o processo de duplicação e divisão celular, nas trocas conhecidas com o nome de “crossing-over”, que são permutações de caracteres genéticos. Equivocadamente essas trocas são atribuídas, pela ciência genética, ao acaso.

Observando pelo viés dos encarnados, o processo reencarnatório exigirá dos futuros reencarnantes alguma adaptação à vida intrauterina. Como será o processo de acomodação à situação de encarnante dentro das estruturas maternas? Como fica o espírito durante a gestação? Será que ele sofre um processo de redução espacial para conter nos limites do organismo materno? À semelhança de certos animais, atravessará uma fase próxima a hibernação?. Tal hibernação lhe exigirá, previamente acúmulo de energias para o período de gestação ou entrará num estado de prostração de forças que facilitará aquela redução? Há necessidade de reduzir o perispírito do reencarnante a uma miniatura de corpo? São interrogações que exigirão análise detalhada a partir de informações científicas e mediúnicas diversas, as quais advirão com as pesquisas em torno da reencarnação.

Certamente que a reencarnação deve parecer uma espécie de “morte”. É a entrada em um mundo diferente e novo e, de certa forma, desconhecido. Pior do que a morte, é a entrada em uma prisão. Sabendo o espírito que reencarnará para se educar e para isto enfrentará provas, qual estudante, é natural que receie o fracasso. Quando já renasce sob o impositivo de expiações, os medos e temores serão maiores. O espírito necessita de auxílio no processo reencarnatório tendo em vista as dificuldades que sabe de antemão vai enfrentar. Frequentemente, ele é amparado por seus familiares e/ou por espíritos interessados em seu sucesso. Às vezes, são companheiros que dependerão de seu sucesso na futura encarnação, por necessitarem dele para suas próprias reencarnações. Dessa forma, é fundamental que o reencarnante adquira confiança no seu futuro e que a reencarnação lhe seja proveitosa, por mais difícil que possa parecer.

Geralmente o recém-desencarnado adquire a forma perispiritual de um adulto. Quando ele vai reencarnar é necessário assumir uma forma adequada ao corpo diminuto que vai receber. Provavelmente ele terá que mentalizar a organização fetal ou uma forma de criança. Tal mentalização facilitará o processo de hibernação como também o esquecimento do passado. Essa hibernação possibilitará menos incômodo à mãe. Os pensamentos do reencarnante são assimilados pela mãe e vice-versa. Se ele estiver em estado de vigília provocará um fluxo mental muito intenso com sua mãe. Na maioria dos casos é fundamental, portanto, que o reencarnante hiberne, prostre forças e esqueça o passado. Algumas alterações de personalidade que ocorrem na gestante devem-se ao intercâmbio entre as duas mentes justapostas. É importante que o espírito reencarnante não atrapalhe sua mãe. A boa gravidez é a que não perturba o psiquismo e o corpo materno, além das alterações normais

O crescimento fetal não se deve à presença do espírito reencarnante. Ele modela o feto no sentido de imprimir suas próprias características. O crescimento pertence ao automatismo biológico. Parece que a organização perispiritual da mãe contribui para esse desenvolvimento. Se a ligação fluídica se dá no momento da concepção, a presença do espírito, interpenetrando o perispírito da futura mãe, pode se dar dias antes. A proximidade do reencarnante induz ao início do processo de ligação. Observam-se, geralmente, alterações psíquicas e até físicas na futura mãe antes da fecundação, pela presença do espírito no seu campo perispiritual.

A mudança de “habitat” que ocorrerá com o espírito pro- moverá alguma alteração em seu organismo perispiritual. O corpo espiritual, acostumado às características ambientais do espaço espiritual em que existia, sofrerá modificações para o processamento da reencarnação. Vai agora se ligar a um corpo mais denso. Muito mais denso. Algo deve se processar com aquele organismo acostumado a densidade próxima de zero. O organismo perispiritual, após a morte do corpo físico, deve a ele assemelhar-se. Mas não em tudo. Pelo menos em matéria de alimentação e sexo deve haver alguma diferença. Quando aquele organismo espiritual vai reencarnar, o corpo físico em formação deve imprimir-lhe novas características. O processo da reencarnação deve fazer com que o espírito perca (transforme) alguma parte do seu corpo espiritual, adquirida no tempo de intermissão. Tal perda, ou “morte”, corresponde ao processo de restringimento do perispírito. O período de vida no corpo físico, propicia o desenvolvimento de uma outra parte daquele organismo perispiritual.

A parte, que se desenvolve com a formação do corpo, desde o embrião, é conhecida com o nome de Duplo Etérico. O fenômeno da perda da parte “astral” do perispírito, isto é, daquilo que se desenvolve no perispírito após a morte do corpo físico, pode, como foi dito, ser visto como uma “morte”. O espírito se desliga de “alguma coisa” quando reencarna. Durante a fase de crescimento do embrião, o perispírito vai se entranhando na corrente sangüínea e nervosa do feto. Quando o córtex estiver completamente formado sua ligação será muito consistente com aquela região cerebral. Alguns sensitivos em desdobramento, afirmam que há uma espécie de cordão fluídico, o qual liga o perispírito ao corpo, e que se localiza um pouco acima da nuca, na base do cérebro.

Não há uma encarnação igual a outra pelo mesmo motivo que não existe um ser humano igual a outro. As provas, dificuldades e desafios, que cada espírito irá atravessar, são diferentes. Os cuidados são distintos. Uns precisam do auxílio de espíritos técnicos em reencarnação para que o processo se dê, outros reencarnam automaticamente, outros ainda, realizam seu próprio processo. O processo reencarnatório não se conclui no nascimento. O espírito ainda precisará de certos cuidados até completar sua união total com o corpo.

A finalização do processo reencarnatório ocorre quando:

a) o espírito assume sua independência, isto é, o controle sobre o corpo;
b) ocorre o começo da fixação da noção de responsabilidade; e
c) ocorre o distanciamento definitivo dos pensamentos vinculados ao passado, à medida que o inconsciente já está suprido de memórias da existência atual.

Os pensamentos da fase infantil são forjados a partir das últimas personalidades do espírito (principalmente a última), cuja influência o período de hibernação gestacional não foi capaz de eliminar. Talvez tal influência se finde com o início da puberdade. Há autores que afirmam que isso se dá em torno dos sete anos. É em torno dessa idade, que as crianças que se lembram espontaneamente de encarnações passadas, começam a esquecê-la. Não há evidências quanto a precisão dessa idade. Varia de espírito a espírito.

Cada espírito atravessa um processo próprio de crescimento e distanciamento de seu passado. Sua aceitação como membro daquele grupo no qual reencarnou é fundamental para que o processo se concretize sem traumas. Dá-se, com muita frequência, conflitos devido à rejeição, velada, ou não, da família ao reencarnante e vice-versa. Tais conflitos são oriundos de situações não resolvidas no passado entre eles. Conquistar afetivamente os membros da família na atual encarnação é fundamental para se quebrar vínculos que atrasam o crescimento do espírito.

Em seu livro A Morte da Morte, Pierre Weil, dentre outros assuntos, aborda a reencarnação dos “Tulkus”, que, para ele, é a reencarnação de uma emanação, uma parte, de um mestre anterior e que demonstram ter um conhecimento digno dele. Os tulkus são seres que reencarnam e lembram-se, espontaneamente de sua vida passada.

Para o autor, e segundo a tradição tibetana, um mestre pode fazer reencarnar vários tulkus. O conceito exposto não fere o entendimento ocidental sobre o processamento da reencarnação. O processo e a lembrança espontânea também se verifica entre aqueles que não demonstram o conhecimento que um tulku é portador. A questão principal é sobre o que reencarna. A encarnação em um corpo humano é prerrogativa de uma individualidade e não de parte dela.

Se admitirmos que, ao reencarnar, o espírito não manifesta todo o seu conhecimento passado, isto é, se ele pudesse manter “esquecida” determinada habilidade que lhe poderia ser prejudicial, a questão do tulku estaria enquadrada dentro desta hipótese. Mesmo assim ficaria sem explicação a simultaneidade dos tulkus de um mesmo mestre desencarnado. O que valeria dizer que não há individualidade no tulku. Creio que o assunto, novo para nós, deverá ser objeto de análises mais profundas quando reeencarnação: processo educativo se cruzarem informações exatas de tulkus distintos, supostamente emanados de um mesmo mestre. A mediunidade, se colocada a serviço desta verificação, poderia trazer novos elementos sobre o assunto. O mestre desencarnado, chamado a se manifestar, declararia quem são seus tulkus. Por enquanto tal possibilidade fica no terreno das especulações.

 

Fonte: Reencarnação: processo educativo
Autor: Adenáuer  Novaes

 

 

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O processo reencarnatório ocorre de forma natural. Leis automáticas atuam no processo de forma a possibilitar a reencarnação sem, necessariamente, a atuação de qualquer agente externo. O organismo humano está preparado para, ocorrendo a fecundação, receber um espírito reencarnante. Ele, por si só, através de seu perispírito, será o...