ORIGEM DO ESPÍRITO
Ensina a Doutrina Espírita que o espírito é o princípio inteligente do Universo, sendo a inteligência seu atributo essencial. Esse princípio inteligente, que tem sua origem no elemento inteligente universal, que passa por um processo de elaboração e individualização até  transformar-se no ser denominado Espírito.

Assim, a palavra Espírito, tanto é empregada para designar o princípio inteligente do Universo, quanto para designar esse mesmo princípio após a sua individualização. O Espírito é criado por Deus. Não é, porém uma emanação ou uma porção da Divindade. É sua obra, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é a obra do homem, não é o próprio homem.

Deus cria o Espírito pela sua vontade, como faz em relação a tudo no Universo. Como Deus jamais deixou de criar, a criação dos Espíritos é permanente.

O Espírito é a individualização do princípio inteligente assim como o corpo é a individualização do princípio material. Essa individualização do princípio inteligente se efetua numa série de existências essas onde o princípio inteligente passa a primeira fase do seu desenvolvimento, ensaiando-se para a vida. Esse seria para o Espírito, por assim dizer, o seu período de incubação. É de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos.

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE

A propósito, ensinam os Espíritos Superiores que os elementos orgânicos formadores dos germens que propiciaram a união do princípio inteligente à matéria achavam-se, por assim dizer, no estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra, para começarem nova existência em novo globo. Depois de criada a Terra, esses germens ficaram aguardando as condições propícias para se desenvolverem no planeta.

Assim, podemos dizer que o princípio inteligente se individualiza lentamente por um processo de elaboração das formas inferiores da natureza, a fim de atingir gradativamente a humanidade. Através de mil modelos inferiores, nos labirintos de uma escalada ininterrupta; através das mais bizarras formas; sob a pressão dos instintos e a sevícia de forças inverossímeis, vai tendendo para a luz, para a consciência esclarecida, para a liberdade. Esses inúmeros avatares, em milhares de organismos diferentes, devem dotar o princípio inteligente de todas as forças que lhe hajam de servir mais tarde. Eles têm por objeto desenvolver o envoltório fluídico, dar-lhe a necessária plasticidade, fixando nele as leis cada vez mais complexas que regem as formas vivas, criando-lhes assim, um potencial, mediante o qual possam, um dia, manipular a matéria, de modo inconsciente, para que o Espírito possa operar sem o entrave dos liames terrestres. Quem recusará ver nos milhões de existências a palpitarem no Planeta a elaboração sublime da inteligência, prosseguindo incessante na extensão indefinita do tempo e do espaço? São as Leis Eternas da Evolução que arrastam o princípio inteligente a destinos cada vez mais altanados, para um futuro sempre melhor, desdobrando-se em panorama de renovadas perspectivas, a partir da idade primária aos nossos dias.

Não for o acaso que gerou essas espécies animais e vegetais. No seu desfile, a consequente possui sempre algo mais que a antecedente e, quando a ciência nos desvenda os quadros sucessivos dessas transmutações, é que vemos a inapreciável riqueza nelas contida, a ampliar-se sempre. Quanta majestade nessas fases de transição! Que grandeza nessa marcha lenta, porém firme, para chegar ao homem, florescência da força criadora, magnífica joia que resume e sintetiza todo o progresso.

Tudo no Universo está submetido à lei do progresso. Desde a célula verde, desde o embrião errante, boiando à flor das águas, a cadeia das espécies tem-se desenrolado através de séries variadas, até nós. Cada elo dessa cadeia representa uma forma da existência que conduz a uma forma superior, a um organismo mais rico, mais bem adaptado às necessidades, às manifestações crescentes da vida; mas, na escala da evolução, o pensamento, a consciência e a liberdade só aparecem passados muitos graus. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se, e torna-se consciente.

A união do princípio inteligente à matéria, assim como o processo evolutivo desse mesmo princípio inteligente, até atingir a sua individualização plena, são descritos pelo Espírito André Luiz da seguinte maneira:

“A matéria elementar dera nascimento à província terrestre, no Estado Solar a que pertencemos. A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva. Dessa geleia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações.

Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes (princípio inteligente) exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. Séculos de atividade  silenciosa perpassam, sucessivos.

Das cristalizações atômicas e dos minerais, do vírus e do protoplasma, das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do período pré-câmbrico aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites e cistídeos, aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos terrenos silurianos o princípio espiritual atingiu os espongiários e celenterados da era paleozoica, esboçando a estrutura esquelética.

Avançando pelos equinodermos e crustáceos, entre os quais ensaiou, durante milênios, o sistema vascular e o nervoso, caminhou na direção dos ganoides e teleósteos, arquegonossauros e labirintodontes para culminar nos grandes lacertinos e nas aves estranhas, descendentes dos pterossauros, no jurássico superior, chegando à época supra cretácea para entrar na classe dos primeiros mamíferos, procedentes dos répteis teromorfos. Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência. Estagiando nos marsupiais e cetáceos do eoceno médio, nos rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, equídeos, canídeos, proboscídeos e antropoides inferiores do mioceno e exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de importância entre os megatérios e mamutes, precursores da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropoides da era quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a mônada vertida no Plano Espiritual sobre o Planeta Físico atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.

Compreendendo-se, porém que o princípio divino aportou na Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podendo circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, através do nascimento e morte da forma, sofre constante modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extrafísicas, em que essa mesma consciência incompleta prossegue elaborando o seu veículo sutil, então classificado como protoforma humana, correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.”

(André Luiz/Chico Xavier, Evolução em Dois Mundos)

Como se vê, por tudo que foi exposto, a mônada vai modelando, ao longo das eras, em seu processo de individualização, não só as suas estruturas físicas , mas também o seu envoltório fluídico, até tornar-se Espírito e estar apto para ingressar no período da Humanidade. Esse processo de modelagem, contudo, não se interrompe aí, antes se aprimora, pela evolução do Espírito, conforme deflui do seguinte ensino de Kardec:

“O corpo é, pois o envoltório e o instrumento do Espírito e, à medida que este adquire novas aptidões, reveste outro invólucro apropriado ao novo gênero de trabalho que lhe cabe executar, tal qual se faz com o operário, a quem é dado instrumento menos grosseiro à proporção que ele se vai mostrando apto a executar obras mais bem cuidadas. Para ser mais exato, é preciso dizer que o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talho-á de acordo coma  sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais; cabe-lhe a ele empregá-los. Desde que um Espírito nasce para a vida espiritual, tem, por adiantar-se, que fazer uso de suas faculdades, rudimentares a princípio. Por isso é que reveste um envoltório adequado ao seu estado de infância intelectual, envoltório que ele abandona para tomar outro, à proporção que se lhe aumentam as forças. Quanto ao envoltório fluídico do Espírito, esse também se modifica com o progresso moral que o Espírito realiza em cada encarnação.”

(Allan Kardec – A Gênese)

NATUREZA DO ESPÍRITO

Existem poucas informações a respeito da natureza do Espírito.

Dizem os Espíritos Superiores que o Espírito – na sua condição de princípio inteligente individualizado – é incorpóreo, constituído de matéria quintessenciada, ainda sem analogia para nós. A sua forma é também, para nós indefinida. Podemos compreendê-lo como uma chama, um clarão ou uma centelha, tendo coloração que vai do escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, de acordo com a sua menor ou maior pureza.

Em virtude da sua natureza, o Espírito pode transportar-se com a rapidez do pensamento, sem que a matéria mais densa lhe ofereça qualquer obstáculo. O seu poder de irradiação se amplia, à medida que  evolui, podendo, assim, projetar-se para diversos pontos ao mesmo tempo sem se dividir, constituindo assim, o chamado dom de ubiquidade dos Espíritos.

Podemos dizer que os espíritos são os seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, fora do mundo material. Esta é a definição dada pelos espíritos em resposta à questão n.º 76 de «O Livro dos Espíritos», seguindo-se breve comentário de Allan Kardec: A palavra espírito é aqui empregada para designar os seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente universal.

Os espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material; a época e a maneira dessa formação é que desconhecemos.

Podemos deduzir, dos ensinamentos acima, que a natureza do espírito não é a mesma da matéria. A posição da doutrina espírita é bem definida quanto à origem do espírito e da matéria. No capítulo 11, n.º 6, de “A Gênese”, ele desenvolve o seguinte raciocínio:

O princípio espiritual teria a sua fonte no elemento cósmico universal? Não seria apenas uma transformação, um modo de existência deste elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc.?.

Se assim fosse, o princípio espiritual passaria pelas vicissitudes da matéria; extinguir-se-ia, pela desagregação, como o princípio vital; o ser inteligente só teria uma existência momentânea, como o corpo, e com a morte voltaria ao nada, ou – o que viria a dar no mesmo – ao Todo Universal. Seria, numa palavra, a sanção das doutrinas materialistas.

Sobre o que não paira a menor dúvida é acerca da união do princípio espiritual à matéria, e, em estágios mais avançados, já o espírito individualizado, que se serve da matéria como elemento indispensável ao seu progresso… É assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até ao arcanjo, pois mesmo este último começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso espírito limitado ainda não pode abarcar o conjunto.

Nem todos os espíritos tiveram o seu início aqui na Terra. Todavia, o nosso planeta começou a oferecer a possibilidade de surgimento da vida quando as grandes convulsões telúricas se atenuaram, dando condições para que o princípio espiritual, em obediência aos ditames divinos, desse origem ao surgimento das formas mais rudimentares de vida. Daí para a frente, ao longo de milênios, a imensa cadeia de seres que existem, ou que existiram, estabeleceu-se, servindo cada espécie de filtro de transformismo para o espírito, na sua marcha ascensional no rumo da perfeição.

Pode parecer contraditório que, estudando o mundo dos espíritos, entremos em considerações sobre a vida na Terra. Todavia, ao tratarmos da origem e natureza dos espíritos, não poderíamos fazê-lo de outro modo, já que, tanto nas obras básicas, como noutras, de autores encarnados e desencarnados de reconhecido valor, e que demonstram profundo respeito pela doutrina, é enfatizada a marcha do espírito pelos escalões inferiores da natureza. Transcrevemos as questões n.º 607 e 607-a) de “O Livro dos Espíritos”, para darmos uma ideia dessa posição. Ficou dito que a alma do homem, na sua origem, se assemelha ao estado de infância da vida corpórea, que a sua inteligência apenas desponta, e que ela ensaia para a vida. Onde cumpre o espírito essa primeira fase? Numa série de existências que precederam o período a que chamais de humanidade.

Parece, assim, que a alma teria sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação? Não dissemos que tudo se encadeia na natureza, e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco, e ensaia para a vida, como dissemos. É, de certa maneira, um trabalho preparatório, como o da germinação, a seguir ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação, e se torna espírito. É então que começa para ele o período de humanidade, e com este a consciência do seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos. Como depois do período da infância vem o da adolescência, depois a juventude, e por fim a idade madura. Nada há, de resto, nessa origem, que deva humilhar o homem. Os grandes gênios sentem-se humilhados por terem sido fetos informes no ventre materno? Se alguma coisa deve humilhá-los, é a sua inferioridade perante Deus, e a sua impotência para sondar a profundidade dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regulam a harmonia do Universo. Reconhecei a grandiosidade de Deus nessa admirável harmonia que faz a solidariedade de todas as coisas da Natureza. Crer que Deus pudesse ter feito qualquer coisa sem objectivo, e criar seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as criaturas.

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Ensina a Doutrina Espírita que o espírito é o princípio inteligente do Universo, sendo a inteligência seu atributo essencial. Esse princípio inteligente, que tem sua origem no elemento inteligente universal, que passa por um processo de elaboração e individualização até  transformar-se no ser denominado Espírito. Assim, a palavra Espírito, tanto...