ageneres-a
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Um agênere (do grego a, privado, e – géiné, géinomai, gerar: que não foi gerado), segundo o Espiritismo, seria um espírito momentaneamente materializado, assumindo as formas de uma pessoa encarnada, ao ponto de produzir uma ilusão completa. O assunto é abordado por Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns.

Mais recentemente no Livro “A marca da Besta” de Robson Pinheiro, há o relato de uma subtração do duplo etérico por forças do mal no planeta terra, com o objetivo de criar um “irmão gêmeo” com todas as lembranças e conhecimentos, com um corpo semi-materializado, palpável e perceptível aos seres humanos vivos, com objetivo de assumir a vida, as funções e as sensações de um ser humano encarnado. Estas materializações só são sustentáveis se o corpo humano original for mantido vivo, em condições vegetativas.

Para os kardecistas, Jesus foi agênere após a sua morte, bem como o anjo Rafael.

Allan Kardec explica assim o fenômeno dos agêneres: Em “O Livro dos Médiuns”, capítulo VII, tópico 125, são criaturas que se apresentam com toda a forma material, ao ponto de produzir a ilusão completa, a de que ela está encarnada, mas que não foram biologicamente geradas. Kardec informa ainda que o fenômeno, por mais extraordinário que possa parecer, não seria mais sobrenatural que outros estudados em “O Livro dos Médiuns”.

Seria uma espécie de aparição tangível, em que espíritos se revestem de forma física, aparentando uma pessoa encarnada, sendo diferentes dessa apenas pelo fato de não terem sido gerados como ocorre segundo as leis da Biologia convencional.

Em “A Gênese”, capítulo XIV, tópico 36, volta Kardec a falar dos agêneres. Os docetistas, do início do cristianismo, achavam que Jesus fosse um agênere, isto é, que Ele tivesse um corpo apenas aparentemente carnal. Mas o evangelista João afirma que quem disser que Jesus não veio em carne, é do anticristo (1 João 4:2). Kardec segue o evangelista João. Na Revista Espírita , em diversas ocasiões, Kardec discorre sobre eles.

Na verdade, após o advento das materializações e seu estudo minucioso por parte de diversos investigadores, não há dificuldade em se entender o que seria um agênere e mesmo os mecanismos que norteiam a sua aparição. Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível.

Há uma condensação, os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas, tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece.

A questão dos agêneres é muito curiosa para estudos, não só do ponto de vista científico, envolvendo todas as complexas situações que determinam a aglutinação dos fluidos necessários á formação, em pouco tempo, de uma estrutura praticamente idêntica ao corpo físico de um encarnado, como também do ponto de vista histórico, uma vez que aparições de agêneres são descritas pelas escrituras e são objeto de relatos muito interessantes, inseridos na literatura espírita. Os Espíritos que se manifestam como agêneres podem pertencer as classes inferiores ou superiores.

Se ocorresse tomarem um agênere por um homem comum, e lhe desejassem fazer um ferimento mortal este desapareceria subitamente. Os agêneres, como Espíritos, têm as paixões de Espíritos segundo a sua inferioridade. Se tomam um corpo aparente, algumas vezes, é para gozarem as paixões humanas; se são elevados, tomam essa forma para um fim útil. As leis naturais ou de Deus não lhes permitem procriar, esse recurso é permitido somente aos seres encarnados. Se um agênere nós fosse apresentado dificilmente haveria um meio para reconhecê-lo, a não ser pela sua desaparição, que se faz de modo inesperado.

A finalidade que pode levar certos Espíritos a tomarem esse estado corporal, de modo geral e para praticarem o mal, pois os bons Espíritos dispõem da inspiração, ou seja, preferem agir sobre a alma e pelo coração. Comumente, as manifestações físicas são produzidas por Espíritos inferiores, e estas são dessa categoria. Entretanto, os bons Espíritos também podem tomar essa aparência corpórea quando tem eles um objetivo útil. Os Espíritos no estado de agêneres podem tomar-se visíveis ou invisíveis à vontade, uma vez que poderão desaparecer quando o quiserem. Os agêneres não têm um poder oculto, superior ao dos homens senão o poder que lhes dá sua posição como Espíritos.

Eles, também, não têm uma necessidade real de se alimentarem, pois o corpo que usam é um corpo semelhante ao do homem, a não ser na aparência. As vezes, podem aparecer se alimentando, por exemplo: almoçando ou jantando com os amigos, e lhes apertam a mão , mas vale repetir, isso é unicamente para dar uma aparência, pois esses seres não necessitam de alimentos. Tendo-se um agênere em casa, isso, seria antes um mal do que bem, pois de resto, não se podem adquirir muitos conhecimentos com esses seres, por isso, a aparição desses seres, designados sob o nome de agêneres, é muito rara, a duração dessa aparência está submetida a condições para nós desconhecidas,e não poderiam tomar-se sob essa forma, os comensais,  o que frequenta uma casa e lá come diversas vezes.

Na Revista Espírita de 1859, Kardec cita em seu artigo “Os Agêneres” as técnicas e aspectos teóricos relativos a esse tema. Ao relatá-los, numa junção de diversos fatos, dentre eles o pedido ao Espírito de São Luís em esclarecer-lhes diferentes pontos sobre o assunto respondendo a algumas perguntas, em sessão na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, foi obtido o seguinte:

1 ─ O Espírito do Duende de Bayonne podia mostrar-se corporalmente em outros lugares e a outras pessoas, além da sua família?
─ Sim, sem dúvida.

2 ─ Isto depende de sua vontade?
─ Não exatamente. O poder dos Espíritos é limitado. Só fazem o que lhes é permitido.

3 ─ Que aconteceria se se apresentasse a um desconhecido?
─ Tê-lo-iam tomado por uma criança comum. Dir-vos-ei entretanto uma coisa: por vezes existem na Terra Espíritos que revestem essa aparência e são tomados como homens.

4 ─ Tais seres pertencem à categoria dos Espíritos superiores ou dos inferiores?
─ Podem pertencer a uma ou a outra. São fatos raros, de que há exemplos na Bíblia.

5 ─ Raros ou não, basta a sua possibilidade para que mereçam atenção. Que aconteceria se, tomando tal ser por um homem comum, lhe fizessem um ferimento mortal? Ele morreria?
─ Desapareceria subitamente, como o jovem de Londres

6 ─ Eles têm paixões?
─ Sim. Como Espíritos, têm as paixões dos Espíritos, conforme a sua inferioridade. Se tomam um corpo aparente é, por vezes, para gozar das paixões humanas. Se são elevados, é com um fim útil.

7 ─ Podem procriar?
─ Deus não o permitiria. Isto é contrário às leis por ele estabelecidas na Terra e elas não podem ser contrariadas.

8 ─ Se um tal ser se nos apresentasse, teríamos um meio de reconhecê-lo?
─ Não, a não ser pelo desaparecimento inesperado. Seria o mesmo que o transporte de móveis de um para outro andar, que lestes anteriormente

9 ─ Qual é o objetivo que pode levar certos Espíritos a tomar esse estado corporal? Eles agem para o bem ou para o mal?
─ Muitas vezes para o mal. Os bons Espíritos têm a seu favor a inspiração. Agem sobre a alma e pelo coração. Sabeis que as manifestações físicas são produzidas por Espíritos inferiores, e as de que tratamos são dessa categoria. Entretanto, como disse, os bons Espíritos também podem tomar essa aparência corporal, com um fim útil.

10 ─ Nesse estado podem tornar-se visíveis ou invisíveis à vontade?
─ Sim, pois podem desaparecer quando quiserem.

11 ─ Têm eles um poder oculto superior ao dos homens?
─ Têm apenas aquele que lhes dá a sua categoria na escala dos Espíritos.

12 ─ Têm necessidade real de alimento? ─ Não. O seu corpo não é real.

13 ─ Entretanto o jovem de Londres, embora não tivesse um corpo real, tomou o café da manhã com os amigos e lhes apertou a mão. Que aconteceu com o alimento ingerido?
─ Antes de apertar a mão, onde estavam os dedos que apertam? Compreendeis que o corpo desapareça? Por que não quereis compreender que também desapareça a matéria? O corpo do jovem de Londres não era real, pois se achava em Boulogne; era, portanto, aparência. Dava-se o mesmo com o alimento que parecia ingerir.

14 ─ Se tivéssemos entre nós um ser dessa espécie, isso seria bom ou ruim?
─ Seria ruim. Ademais, não é possível manter contatos prolongados com tais seres. Não vos podemos dizer muita coisa. Esses fatos são excessivamente raros e jamais têm um caráter de permanência. Ainda mais raras são as aparições corpóreas instantâneas, como a de Bayonne.

15 ─ Algumas vezes o Espírito protetor familiar toma essa forma?
─ Não. Não dispõe ele de recursos interiores? Ele os manipula com mais facilidade do que o faria sob uma forma visível e o tomássemos por um de nossos semelhantes.

16 ─ Perguntam se o Conde de Saint-Germain não pertenceria à categoria dos agêneres.
─ Não. Ele era um hábil mistificador.

Notáveis relatos sobre os agêneres, é o episódio envolvendo Jan Huss, o líder religioso tcheco, considerado precursor da Reforma, movimento que pretendeu revigorar o cristianismo em seus princípios originais. Quando Huss se achava preso e já próximo de perecer numa fogueira, na cidade de Constança, em 1415, aconteceu o interessante episódio com um agênere.

Quem nos narra esse comovente encontro é o consagrado J.W. Rochester, na obra “Os Luminares Tchecos”, romance histórico em torno das figuras de Jan Huss e Jerônimo de Praga. Huss, para nós, espíritas, tem grande significado, pois presume-se que tenha reencarnado, mais adiante, como, nem mais, nem menos, Allan Kardec. Aliás, vai além, quando revela uma outra personalidade que teria sido animada pelo Espírito que viria a ser Kardec, o do centurião romano Quirílius, que chegou a oferecer fuga a Jesus, quando este se encontrava preso, proposta gentilmente recusada pelo Mestre, ao revelar-lhe que “iria ainda ter a oportunidade de morrer por Ele, porém no futuro…” O centurião mais tarde converteu-se ao cristianismo e passou a ser o “pai João”, retratado por Rochester na obra “Herculanum”. Huss, em sua cela, próximo da execução, ora fervorosamente e recebe uma graça do Alto. Conforme descreve magistralmente Rochester, surge à sua frente uma nuvem esbranquiçada, crepitando em faíscas, iluminando a cela em tons levemente azulados, dando forma, materializada, à figura alta de um homem em trajes clericais bizantinos, trazendo nas mãos uma cruz e um evangelho. Huss indaga de quem se trata e o agênere informa ser “aquele que primeiro trouxe a luz divina do Evangelho à sua pátria (República Tcheca) e cujos restos descansam em Velegrad.” Em seguida, o agênere recomenda a Huss muita firmeza perante a morte próxima, prometendo ajuda permanente e as recompensas da vida espiritual.

Um caso de agênere na Bíblia que merece nossa atenção é o citado por Kardec no capítulo XXVII, parágrafo 8 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e também no capítulo XXV da mesma obra, no parágrafo 5, ao mencionar o agênere (“anjo”) que esteve com Tobias. É importante alertar que nas edições mais populares da Bíblia nada será encontrado sobre Tobias e o anjo, pois nestas não há o “Livro de Tobias”. Porém, a “Bíblia de Jerusalém”, uma das mais completas e que é utilizada comumente como fonte de pesquisa, insere no Velho Testamento “O Livro de Tobias”, narrando em detalhes o interessante episódio envolvendo o agênere. Conta “O Livro de Tobias” as peripécias do “anjo” Rafael que, atendendo aos apelos de Tobias pai, acompanha Tobias filho em sua perigosa viagem, protegendo-o, auxiliando-o em seu casamento, livrando-o e à sua esposa de obsessores, impedindo que fosse devorado por um enorme peixe e trazendo-o de volta, casado, são e salvo, à casa do pai. Ao fim, recebendo ofertas de recompensas, recusa todas, informando que Deus o enviara para ajudá-los em função de merecimento e, pedindo que narrassem o ocorrido para a posteridade, “desapareceu diante deles e eles não o puderam ver mais”

Não podemos deixar de registrar o provável encontro de um agênere com Bezerra de Menezes e destacado por seus biógrafos. Os anos de estudo no Rio de Janeiro, na Faculdade de Medicina (atual UFRJ) foram muito difíceis para Bezerra, que freqüentemente recorria ao expediente de dar aulas para ajudar nas despesas. Numa ocasião, Bezerra não sabia mais o que fazer perante o problema do pagamento de taxas da Faculdade e despesas com a pensão onde morava, estando em risco de ser despejado. Desesperado, orou fervorosamente e apelou para Deus. Não demorou muito e um jovem bateu- lhe à porta. Desejava tratar aulas de matemática. A princípio Bezerra, a contragosto, tentou recusar, pois matemática não era disciplina muito de seu gosto. O candidato insistiu, pois estava muito necessitado e Bezerra, lembrando-se então de sua situação periclitante, resolveu dar as aulas, pedindo um tempo para se preparar. Surpreendentemente, o aluno ofereceu pagar tudo adiantado, alegando que, assim, corria menos risco de esbanjar os recursos, provenientes de mesada. Com muita relutância, Bezerra acabou concordando, acertando dia e horário de início das aulas. Com a quantia, Bezerra pagou as taxas da Faculdade e quitou o aluguel. Depois, embrenhou-se na biblioteca, preparando-se para as aulas de matemática…. que nunca aconteceram, pois o estudante não mais apareceu…
Era, provavelmente, um agênere, de quem Bezerra recebeu providencial auxílio.
Fonte: Revista Espírita de Campos nº 96

Conclusão Diferença entre Materialização Completa e um Agênere:
Agênere: É uma variedade de aparição tangível. É o estado de certos Espíritos que podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, ao ponto de causar completa ilusão. Um Espírito materializado em plena luz, com toda a aparência de um homem normal. É preciso saber que existem agêneres e agêneres, mas tais seres são, por definição, criaturas fisiologicamente não geradas como o normal dos encarnados. Noutras palavras seres que se mostram materializados aos olhos humanos, às vezes por longos períodos. Os Espíritos no estado de agêneres podem tornar-se visíveis ou invisíveis à vontade, uma vez que poderão desaparecer quando o quiserem. Em casos especiais, a frequência com que aparecem dá uma poderosa impressão de continuidade. Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível. Há uma condensação (os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas) tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece.

Materialização: A materialização é um fenômeno produzido a expensas do corpo do médium, que fornece os elementos necessários, isto é, que um certo grau de desmaterialização do médium corresponde ao começo inevitável do fenômeno de materialização do Espírito. Chamamos de materialização ao fenômeno pelo qual um Espírito se mostra com um corpo físico, tendo todas as aparências da vida normal.

O que diz a Doutrina Espírita?

Dirigido por Brad Silberling, no ano de 1998, chegava às telas o filme “Cidade dos Anjos” – Uma estória de amor entre um anjo e uma mortal. De grande sucesso, até hoje, esse drama é visto com grande emoção pelas pessoas românticas, sensíveis. Respeitando a criatividade por parte dos autores e diretor, o nosso objetivo nesse pequeno artigo é utilizarmo-nos da ideia do filme para tratar de forma leve, porém com a seriedade e respeito que a Doutrina Espírita merece, o tema: agênere.

O filme conta a estória de um anjo, encarregado de cuidar e confortar os pacientes terminais, de um hospital em Los Angeles. Aprendemos com a Doutrina Espírita que “anjos” são seres que percorreram todos os graus da evolução.  E que Espíritos abnegados sempre socorrem e amparam aos necessitados.

O anjo, cujo nome é Seth, apaixona-se por uma médica que acabara de perder um paciente durante uma cirurgia. Seth ouve e observa os humanos, no entanto, nenhum deles consegue vê-lo. Resolve, então, ficar visivel para a médica, de modo a encontrá-la frequentemente.

O leitor poderá nos perguntar: Os Espíritos (anjos) podem se tornar visiveis?

Sim, podem, sobretudo durante o sono. Contudo, revela-nos a Doutrina Espírita, que algumas pessoas podem vê-los também no estado de vigilia, mas, isso é raríssimo.

Ao se tornar visivel o anjo Seth nos traz duas possibilidades de estudo:

O fenômeno das aparições vaporosas e do agênere é explicado por Kardec: o Espírito tem dois envoltórios: um grosseiro, pesado e destrutível: o corpo. O outro etéreo vaporoso e indestrutível: o Perispírito. Após a morte do corpo segue o Espírito com seu perispírito. Por sua natureza e em seu estado normal o perispírito é invisível, mas pode sofrer modificações que o torna perceptível à vista, por uma espécie de condensação, ou por uma mudança em sua disposição molecular. Assim, pode aparecer sob uma forma vaporosa, porém se a condensação for de grande intensidade o perispírito adquirirá propriedades de um corpo solido e tangível.

Pode-se observar que Seth, o anjo do filme em questão, não sente calor, nem o vento no rosto, nem o gosto de uma fruta, muito menos o toque de sua amada. Mas o amor que sente pela cirurgiã, faz com que pense em desistir da eternidade, voltar a ser humano para ficar com ela. No desenrolar da trama, ele renuncia a condição de anjo podendo ser tocado, ou seja, se torna tangível à mulher amada.

Sabemos que a renúncia à vida espiritual, ou o retorno à vida material, só se dá pela via da reencarnação, o que impediria Seth de estar com a amada; ele então aparece na Terra, adulto. Nesse cenário podemos concluir que ocorreu o fenomeno da aparição de um agênere.

Aparição de um agênere.

Eis um tema pouco estudado pelos espíritas e que vem sendo explorado de forma equivocada em determinados tipos de literatura. É necessário passar tudo pelo crivo da razão. Antigamente o Controle Universal do Ensino dos Espíritos – CUEE -, era corroborado por diversos Espíritos em diversos locais do mundo. Na atualidade, podemos fazer esse mesmo controle comparando os livros mediúnicos com os ensinamentos contidos na Codificação. Se o conteúdo não estiver em consonância com os princípios doutrinários, a obra deve ser considerada uma opinião isolada do autor ou autora e não poderá ser tratada como uma obra espírita e sim espiritualista.

Agênere é uma modalidade de aparição de um Espírito com aspectos de tangibilidade. É um estado em que alguns Espíritos, temporariamente se revestem das formas de uma pessoa viva, produzindo assim uma ilusão completa.

Embora desnecessário, vale lembrar que esse é um fenômeno totalmente natural, não há milagres, não é um fenômeno sobrenatural, não ocorre derrogação da natureza.

Kardec denominou esses seres de agêneres com o objetivo de indicar que a origem não é resultado de uma geração. Dito de outro modo, um agênere não é gerado e nem morre.

Para que um Espírito condense seu perispírito de modo a se tornar um agênere, são necessárias:

  1. Vontade do Espírito;
  2. Combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados;
  3. Permissão do plano superior;
  4. Outras condições cuja mecânica se desconhece.

Cumprindo esse roteiro a tangibilidade pode chegar a tal ponto que é possível se observar, tocar, apalpar, sentir, o que não impede que o agênere desapareça com a rapidez de um relâmpago, através da desagregação das moléculas fluídicas.

Um Espírito cujo corpo fosse assim visível e palpável teria, para nós, toda a aparência de um ser humano; poderia conversar conosco e sentar-se em nosso lar qual se fora uma pessoa qualquer, pois o tomaríamos como um de nossos semelhantes”.

Kardec chegou à conclusão que: “O Agênere propriamente dito não revela sua natureza e aos nossos olhos não passa de um homem comum, sua aparição corpórea pode ter longa duração, conforme a necessidade, a fim de estabelecer relações sociais com um ou vários indivíduos”.

Porém, nossa intuição acusa que há algo de diferente na “pessoa”. Sentimos que algo de estranho esta ocorrendo. Kardec ensina que sempre se notará nas atitudes de um agênere “qualquer coisa de estranho e de insólito que deriva ao mesmo tempo da materialidade e da espiritualidade: neles, o olhar é simultaneamente vaporoso e brilhante, carece da nitidez do olhar através dos olhos da carne; a linguagem, breve e quase sempre sentenciosa, nada tem do brilho e da volubilidade da linguagem humana”.

Necessário esclarecer que Kardec não quis dizer que o fenômeno seria de caráter permanente, caso contrário, estaria em oposição ao Espírito São Luís, um dos Espíritos que assinam o Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, portanto, membro atuante na Codificação, que na Revista Espírita de 1859 afirma:

“Tais fatos são excessivamente raros e jamais tem caráter de permanência, portanto a aparição de um agênere é um fato raro e breve…. Os Espíritos que geralmente tomam a aparência de encarnados pertencem às classes inferiores e seu objetivo é quase sempre o mal”. Esse conceito de São Luís contraria visceralmente o anjo Seth criado pelo enredo do filme, e muitos escritores. (grifo nosso).

Ao encerrar esse artigo não poderia deixar de observar que uma das condições para que um Espírito condense seu perispírito de modo a se tornar um agênere, e a autorização do plano Espiritual Superior, portanto, Jesus como governador da Terra sabe de tudo que acontece, e mais, que Seu plano para a Terra é a construção do Reino de Deus em nossos corações e mentes, por isso Seus ensinamentos sempre foram em torno do amor. Foge-nos a razão pensar que esse mesmo Jesus enérgico e amoroso, deixasse-nos à mercê de Espíritos que tomam a forma de agêneres e vem a Terra assassinar, perseguir, destruir ou qualquer outra iniciativa própria.

A Doutrina Espírita nos ensina a lei de causa e efeito e que tudo que plantarmos, colheremos. E ainda que essa colheita poderá se dar de várias formas. O dente por dente, olho por olho pertence ao Código de Hamurabi e não ao Código do Amor do Pai Celestial.

Reafirmamos as instruções do Espírito São Luiz sobre o agênere:

Seth no momento em que “renuncia” da sua condição de anjo e mergulha no ‘mundo’ dos humanos com todas as sensações, sentimentos e instintos aqui existentes, confirma o que nos ensina o Espírito São Luiz, na Revista Espírita de fevereiro de 1859, quando Kardec lhe pergunta se os agêneres têm paixões:

Responde São Luiz: “─ Sim. Como Espíritos, têm as paixões dos Espíritos, conforme a sua inferioridade. Se tomam um corpo aparente é, por vezes, para gozar das paixões humanas”. Mas Seth era um anjo (Espírito superior), portanto, já livre das paixões humanas. E ao cair ele sangra; o que seria impossível para um agênere. Seth então reencarnou? Sabemos que não, deixemos tudo isso na contabilidade da criatividade dos cineastas.

A sétima arte pode e deve ser criativa. O filme “Cidade dos Anjos”, cumpriu seu papel de entretenimento e ao mesmo tempo nos fez reflexionar. Cabe, portanto, aos Espiritas compromissados com a terceira revelação salvaguardar os princípios doutrinários.

A Doutrina Espírita está sustentada sempre pelo tripé: Filosofia, Ciência e Religião (moral), sempre se utilizando da razão.

Portanto, livros cujo objetivo tem sido o de atemorizar os leitores, distorcer conceitos doutrinários, enfatizar o mal, criar quadros mentais negativos na mente do leitor, podendo levá-los a um quadro obsessivo, não podem e não devem ganhar espaço nas casas espíritas.

 

 

Fontes:
A Gênese – Allan Kardec
O Tempo – José Reis Chaves
O Livro dos Mediuns – Allan Kardec
O Que é o Espiritismo – Allan Kardec

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Os Luminares Tchecos – J.W. Rochester
Revista Espírita ano de 1858 e 1859  – Allan Kardec
O Evangelho Segundo o Espiritismo  – Allan Kardec

Leitura complementar:

A marca da Besta de Robson Pinheiro
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Wikipédia, a enciclopédia livre. Um agênere (do grego a, privado, e - géiné, géinomai, gerar: que não foi gerado), segundo o Espiritismo, seria um espírito momentaneamente materializado, assumindo as formas de uma pessoa encarnada, ao ponto de produzir uma ilusão completa. O assunto é abordado por Allan Kardec, em...