O Príncipe da MaldadeTRÊS VULTOS com trajes que lembravam uniformes militares surgiram no Eixo Monumental, sobrevoando as vias largas do coração da Cidade para, logo em seguida, pousarem suavemente, como se fossem excelentes paraquedistas, próximo ao Panteão da Pátria. Naquele momento, todas as atenções se voltavam à Praça dos Três Poderes, isto é, às ações que tomavam corpo no Congresso Nacional, no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal, bem como nas demais instituições representativas da vida nacional brasileira no Distrito Federal.

Depois de uma semana extenuante, do burburinho que se exaltava em todos os departamentos da política brasileira, a noite de sábado parecia prometer algum descanso a todos os elementos do grande drama nacional. Mas a noite era apenas uma promessa de trégua na batalha que se desenrolava nos bastidores da vida.

Os vultos eram altos, algo acima de 1,99m cada um deles. Corpos robustos, de uma compleição condizente com sua altura e que lhes conferia imponência. Um deles tinha cabelos bem curtos, cortados à moda militar, o que combinava com o porte altivo, e sério, de feições marcantes e graves, que denotava senso de compromisso e força moral inquebrantável. Vestia uma farda cujas calças se assemelhavam a certas bombachas usadas por forças armadas do passado, porém, era feita de um material desconhecido, que se iluminava à medida que ele caminhava ou levitava, conforme a situação lhe exigia ou permitia. Outro era negro, também muito imponente, de olhos escuros e traços longilíneos. Esguio, era elegante ao extremo e dotado de uma mente aguçada e de um poder de concentração sem limites. Podia deslocar-se com a velocidade de um guepardo das savanas africanas ou ficar à espreita com a mesma discrição daquele felino quando busca sua presa. Era uma figura verdadeiramente impressionante. O terceiro era loiro, tinha cabelos arrepiados, talhados à moda jovem de meados do século XX, à escovinha, no apogeu de seus dias de pretendida glória; com olhos claros, acinzentados, lembrava alguém do Leste Europeu e tinha um porte que não deixava nada a dever aos demais. Seus olhos pareciam refletir outras paragens, embora sua mente estivesse focada nos problemas que enfrentavam e enfrentariam em breve.

À sua frente, a apenas alguns quilômetros, observavam com olhos aguçados e visão espiritual extremamente dilatada os atores de antigos dramas. Agora, porém, estes se albergavam em corpos diferentes e desempenhavam, cada qual, um papel, numa última apresentação no palco da vida planetária antes que seus destinos fossem irremediavelmente selados por suas atitudes e estendessem, diante de seus espíritos, novos caminhos, que os levariam, talvez, a mundos bem distantes, perdidos na imensidão do Universo. O burburinho mental e emocional, que não provinha somente da cidade planejada e desenhada na forma de um avião, fazia com que a volitação naquele ambiente fosse quase que impossível. Um emaranhado de formas mentais complexas, de densidade umbralina, quase material, espalhava-se por todo lado. Foi então que se puseram a caminhar rumo ao seu objetivo.

Era época de reunião dos poderes constituídos da República. Lamentavelmente, o caos social e político se estendia rumo às fronteiras do país, de norte a sul. Muita gente se dirigia ao Plano Piloto, atenta aos acontecimentos que determinariam a sorte de milhões de cidadãos. Como aquelas decisões afetariam a qualidade de vida espiritual e emocional de centenas de milhões de pessoas e tutelados em toda a nação, dos dois lados da vida, era de se esperar que os vigilantes também convergissem para ali. Era a hora de interferir, mais decisivamente, no andamento de um projeto nefasto que, há bastante tempo, era alvo de sua atenção e que constituía uma medida de extremo desespero por parte de entidades sombrias, cujo objetivo era impedir que o país cumprisse seus desígnios. O Brasil estava destinado a ser um celeiro mundial e a irradiar um pensamento regenerador ao restante do globo. Como se não bastasse, não era somente isso que estava em jogo. Havia muito mais questões, que poderiam afetar o continente inteiro, e isso jamais passaria despercebido pelas consciências sublimes que interagem com o homem terreno colimando o progresso. Ademais, a presença dos vigilantes e agentes da justiça sideral respondia ao clamor desesperado de milhões de seres em todo o país e em nações vizinhas, os quais rogavam, imploravam socorro ante a investida da política perversa do anticristo, que havia se disseminado, alastrado seus tentáculos por diversos países no mundo e, de modo especial, na América do Sul. A presença dos emissários da justiça representava a resposta de Deus aos anseios de centenas de milhões de seres angustiados e aflitos.

Barracas erguidas no gramado central da Esplanada dos Ministérios informavam que cada vez mais gente chegava para juntar-se ao clamor e ecoar a voz das massas espalhadas pelo território nacional. Eram dias de exaltação e até de loucura; de lutas densas e disputas oportunistas em busca de poder e dinheiro. Representantes do povo que, na verdade, representavam apenas a si mesmos entregavam-se à corrida desenfreada em busca de popularidade e, ao mesmo tempo, de crescimento de suas contas bancárias. De outro lado, havia aqueles que realmente queriam ajudar, porém, tinham pecados diferentes dos da maioria, o que os fazia alvo de intensas críticas por parte de quem queria apenas dilapidar o patrimônio público, cultural e espiritual da população.

O clima reclamava uma interferência especializada, embora soubessem os vigilantes e guardiões que tudo, até mesmo os resultados esperados, clamados e defendidos pela maioria, tudo dependia da resposta humana às ações desenvolvidas nos bastidores da vida. Nada seria fruto de um milagre ou de uma intervenção unilateral e exclusiva do Alto. Faz parte do ministério divino que o homem seja o instrumento de limpeza e progresso do ambiente que ele próprio contaminou ou degradou. Ou seja, sem a participação dos atores encarnados no palco da vida, não há como o auxílio ser eficaz.

Em dado momento, um dos homens no acampamento próximo pareceu perceber os vultos que caminhavam, sem, contudo, saber exatamente do que se tratava, a princípio. Viu um reflexo diferente, um flash, como se fosse de uma câmera fotográfica, mas que durou breves segundos, o suficiente para notar que caminhavam por ali seres de uma dimensão paralela.

Ao mesmo tempo, sombras furtivas moviam-se de um canto a outro da cidade, como se disputassem elementos da mais profunda escuridão, da mais soturna e espessa treva, menosprezada de forma consciente pelos atores que desempenhavam seu último papel no palco da vida planetária.

O homem no gramado voltou a mirar mais atentamente o horizonte, tentando distinguir o Invisível, quando, então, vislumbrou a aura dos vigilantes e guardiões por meio de novo flash, uma espécie de reflexo nos edifícios próximos, onde eles passavam. Eram clarões, segundo descreveria, diferentes de um simples reflexo no espelho. Era o sinal de que, a partir dali, haveria intervenção do Alto.

Nesse exato momento, em um local denominado por Baía de Guantánamo, Ilha de Cuba, numa dimensão próxima à Crosta,
inquietante movimentação ocorria naquele ambiente tumultuado. Encontravam-se ali 21 grupos de magos negros e especialistas das sombras para discutir propostas que visavam ampliar seu domínio e insuflar a sede de poder entre os encarnados, fortalecendo no mundo a oposição aos princípios do Reino de Cristo. Reunia-se ali uma amostra notável de seres de diferentes procedências culturais. Aproveitava-se o ar de sofrimento, de desrespeito à vida e aos direitos humanos, bem como os gritos e o choro rouco dos torturados, para dar sustentação energética ao concílio tenebroso. Ali, a atmosfera de baixa frequência e máxima intensidade concorria para os objetivos mais espúrios. Por todo lugar no ambiente extrafísico, havia sinais cabalísticos inscritos. O sangue dos prisioneiros oferecia o ectoplasma necessário à formação da aura de horror e sedução que imperava no lugar — síntese de uma política em tudo oposta àquilo que Cristo pregara.

Fonte: Trecho extraído do Livro “O Partido” de Robson Pinheiro, Maio/2016, Casa dos Espíritos Editora

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TRÊS VULTOS com trajes que lembravam uniformes militares surgiram no Eixo Monumental, sobrevoando as vias largas do coração da Cidade para, logo em seguida, pousarem suavemente, como se fossem excelentes paraquedistas, próximo ao Panteão da Pátria. Naquele momento, todas as atenções se voltavam à Praça dos Três Poderes, isto...